Michael Jackson é inocentado de todas as acusações
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segunda-feira, 13 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Os 12 jurados, quatro homens e oito mulheres, do caso em que Michael Jackson, 46 anos, foi acusado de abusar sexualmente de um menor de 13 anos decidiram ontem que o cantor é inocente. O júri chegou ao veredicto após sete dias (32 horas) de deliberações.
Na porta do tribunal de Santa Maria (Califórnia), centenas de fãs e mais de 1.400 jornalistas aguardaram o resultado durante dias. Ao todo, Jackson enfrentou dez acusações, entre elas de conspiração com fins extorsivos, sequestro de um menor de idade, abuso sexual e fornecimento de agente tóxico (vinho) com a finalidade de cometer o delito. O artista negou todas elas.
Os depoimentos das testemunhas (foram mais de 140 pessoas ouvidas) e deliberações dos advogados de defesa e acusação (promotoria) começaram no final de fevereiro, após o longo processo de escolha dos jurados selecionados entre milhares de candidatos e terminaram no dia 2 de junho. Desde o dia 3, com exceção do final de semana, os jurados se reuniram diariamente, durante seis horas, para discutir o veredicto.
Durante todo o caso, a promotoria qualificou o artista de predador sexual obcecado por meninos. A defesa, por sua vez, usou o argumento que o menino pivô da acusações (hoje com 15 anos) foi manipulado por sua mãe a mulher teria obrigado o filho, que sofre de câncer, a mentir.
Jackson foi preso em novembro de 2003, depois da realização da primeira revista em sua mansão na Califórnia. O cantor foi liberado depois do pagamento de uma fiança de US$ 3 milhões.
No fim do ano passado, os advogados do músico chegaram a pedir o adiamento do julgamento, alegando que a defesa não teria tempo de ler as quase 14 mil páginas fornecidas pelo procurador. Os representantes legais do artista consideraram, também, que não tiveram tempo para examinar os resultados das novas buscas realizadas no rancho (chamado ''Neverland'', ou ''Terra do Nunca'') do cantor em 3 e 4 de dezembro.
Na segunda e terceira visitas, os investigadores norte-americanos aproveitaram para coletar uma amostra de DNA de Jackson, a partir da saliva do acusado. Em depoimento, a mãe do menino que teria sofrido abuso sexual contou ao juiz que ela e sua família foram impedidas de sair da fazenda do cantor e seguir para Los Angeles no dia em que o astro teria molestado seu filho.
A identidade do menor que acusa o cantor chegou a ser revelada, mas em seguida uma ordem judicial determinou que os nomes da suposta vítima e de sua família não fossem mais citados publicamente.
O menor aparece no polêmico documentário ''Living With Michael Jackson'', do jornalista britânico Martin Bashir, no qual o cantor admite que já dividiu a cama com crianças, ''mas não de uma forma sexual, e sim de um jeito doce e carinhoso''.
O juiz Rodney Melville, da Corte de Santa Maria, na Califórnia (EUA), o responsável pelo caso, acatou a denúncia formal de abuso sexual contra Jackson no final de abril de 2004. Ela foi apresentada pelo promotor Thomas Sneddon. Sneddon também foi o promotor do primeiro caso de abuso sexual contra o cantor, em 1993. Mas um ano antes, Jackson chegou a um acordo extrajudicial milionário com familiares e o menino que o acusou. Assim, estes nunca chegaram a apresentar queixas criminais.
Segundo dados divulgados recentemente, Jackson teria pago US$ 15 milhões ao menino, agora um jovem com mais de 20 anos. Em meados dos anos 90, Jackson chegou a escrever uma canção contra Sneddon, no qual o chamava de racista e ''homem frio''. Até o início efetivo do julgamento, Jackson participou de diversas audiências com testemunhas do caso e o juiz. Apesar de se tratar de procedimento comum, o cantor não era obrigado a comparecer.


