Mianmar permite entrada de médicos asiáticos
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sábado, 17 de maio de 2008
France Presse 
Yangun- A junta militar de Mianmar permitiu ontem a entrada no país de médicos asiáticos e conduziu diplomatas ao cenário devastador deixado pelo ciclone Nargis, uma das catástrofes naturais mais mortíferas da história recente, com mais de 133.000 mortos e desaparecidos.
Cerca de cem médicos e enfermeiros asiáticos que já se encontram em Mianmar, entre eles tailandeses e indianos, e os que estão para chegar, formam o maior grupo de especialistas estrangeiros que tem como objetivo auxiliar cerca de dois milhões de pessoas atingidas.
Em um sinal da tímida abertura do regime, a junta levou de helicóptero, pela primeira vez, diplomatas e representantes da ONU para áreas do delta do Irrawaddy devastadas em 3 de maio pelo Nargis.
Essa região do sudoeste de Mianmar está fechada aos jornalistas.
''O que nos mostraram parecia bem, mas não nos mostraram o quadro completo'', disse Chris Kaye, diretor local do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.
Ao mesmo tempo, o ''Mistral'', barco da marinha francesa, chegou à costa de Mianmar, mas ainda não pôde entregar seu carregamento humanitário, segundo o Estado Maior do exército francês.
Com 77.738 mortos e 55.917 desaparecidos, em um total de 57 milhões de habitantes, a comunidade internacional teme uma ''segunda catástrofe'', e tenta, através da mediação dos asiáticos, suavizar a posição do regime.
''Toda a pressão deve ser aplicada, todos os meios diplomáticos devem ser usados para fazê-los entender que precisam facilitar nossa ajuda'', disse na sexta-feira o comissário europeu para Desenvolvimento, Louis Michel, ao voltar de Yangun.
A ajuda americana pôde ser entregue na sexta diretamente, pela primeira-vez, às ONGs estrangeiras de Mianmar, indicou o departamento de Estado.
Quatro novos aviões pousaram na sexta em Yangun, anunciou o porta-voz Sean McCormack e espera-se mais para o fim de semana. ''Vemos realmente uma mudança, pelo menos no dia de hoje (ontem)'', disse o porta-voz.
As Nações Unidas esperam o resultado de uma reunião ministerial na segunda-feira, em Cingapura, dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar é membro. Nesse encontro, irá se decidir o local e os participantes de uma ''conferência para arrecadas fundos'', que poderia ser realizado em Bangcoc, em 24 de maio.
Sanções- O presidente George W. Bush anunciou ontem que prolongou por mais um ano as sanções tomadas pelos Estados Unidos contra a junta militar que controla Mianmar, apesar de assegurar que isso não irá afetar a ajuda americana às vítimas do ciclone Nargis. Em uma mensagem dirigida ao Congresso, Bush indicou que as ações do regime militar continuam sendo ''hostis aos interesses dos Estados Unidos'' e representam ''uma ameaça contínua e extraordinária para a segurança nacional e a política exterior norte-americna''.


