São Paulo - O México decidiu suspender, a partir de 23 de outubro e por tempo indeterminado, um acordo bilateral com o Brasil que previa a isenção de vistos de turistas e de negócios para passaportes brasileiros comuns. Como reação, o governo brasileiro também passará a exigir vistos de turistas e empresários mexicanos que queiram vir ao Brasil.
A decisão mexicana foi comunicada ao Itamaraty no final da tarde de quinta-feira. Em nota divulgada ontem, o governo brasileiro afirma que ''nada tem a comentar sobre essa decisão, que recai no âmbito da competência soberana do governo mexicano''.
A nota afirma ainda que, de acordo com a legislação brasileira, o governo ''está obrigado a reciprocar, estabelecendo a mesma exigência de vistos de turista e de negócios em passaportes comuns mexicanos''. A vigência da medida coincide com a mexicana. O acordo de isenção de vistos havia sido firmado pelos dois países em novembro de 2000. Do lado brasileiro, porém, só passou a vigorar em fevereiro de 2004, depois de ratificado pelo Congresso.
A decisão do México é uma tentativa, sob pressão americana, de impedir o crescente fluxo de imigrantes ilegais que cruzam a fronteira em direção aos EUA. Além do Brasil, atinge o Equador e a África do Sul.
A Chancelaria mexicana informou que cidadãos desses três países poderão receber vistos de turismo de cinco anos ou de negócios por três anos, com entradas e saídas múltiplas. Até o final da tarde de ontem, o Itamaraty ainda não tinha detalhes sobre que regras de vistos serão aplicadas para os mexicanos.
Segundo dados do governo americano, os brasileiros são o grupo que mais tem crescido em detenções na fronteira com o México. Entre os motivos pelo crescimento desse fluxo estão a não-obrigatoriedade do visto para o México, além da dificuldade de obtenção de um visto para os EUA após o 11 de Setembro.

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