As eleições presidenciais do México transcorrem normalmente e em paz, disse ontem à imprensa o presidente do Instituto Federal Eleitoral (IFE), Luis Carlos Ugalde. ''A jornada segue em paz, em plena normalidade e tranquilidade, em todo o país a eleição está fluindo'', destacou Carlos Ugalde. ''Ocorreram apenas incidentes menores'', confirmou o secretário do Interior, Carlos Abascal, após votar.
''As informações são de que (...) a eleição está fluindo, inclusive no estado de Oaxaca. Exceto por algum incidente realmente insignificante, menor, o país todo está em paz'', explicou Carlos Ugalde.
Uma greve de professores em Oaxaca, que provocou violentos distúrbios com a polícia, ameaçava as eleições em algumas localidades deste estado pobre e de maioria indígena, mas apenas onze seções não puderam funcionar na região.
Segundo Carlos Ugalde, 99% das 130.500 seções eleitorais instaladas em todo o país funcionaram normalmente, para receber o total de 71,3 milhões de eleitores.
Entre os principais candidatos à presidência do México estão o esquerdista Andres Manuel López Obrador e o conservador Felipe Calderón. Além de escolher o presidente, os eleitores renovarão o Congresso e votarão nos governadores dos Estados de Jalisco, Guanajuato e Morelos. O IFE calcula a taxa de participação em cerca de 60%.
O líder da guerrilha zapatista, o encapuzado subcomandante Marcos, esteve à frente, no domingo, de manifestação de milhares de pessoas em protesto contra o sistema político mexicano, paralelamente às eleições presidenciais.
Marcos, que fez em janeiro um périplo pelo México para reunir uma frente alternativa de esquerdas, fracassou em sua tentativa de ganhar espaço na longa campanha eleitoral. Desde o início da campanha, Marcos voltou todas as baterias contra a esquerda parlamentar e seu candidato à Presidência, Andrés Manuel López Obrador. O líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) chegou à capital mexicana no fim de abril, em meio à indiferença geral, ao contrário da grande marcha zapatista de março de 2001, quando ele reuniu centenas de milhares de pessoas.
Após uma manifestação em 1º de maio diante da embaixada dos Estados Unidos, um incidente ajudou Marcos a recuperar momentaneamente a atenção nacional. No dia 4, no povoado de San Salvador Atenco - na periferia da capital mexicana - liderado por simpatizantes dos zapatistas, a polícia enfrentou vendedores ambulantes, e a repressão deixou dois mortos, dezenas de feridos, 200 detidos e denúncias de estupros e prática de tortura.
Marcos continua apostando em uma ''rebelião civil e pacífica'' para tirar do poder os políticos atuais que julga desonestos e corruptos, embora sem pedir publicamente uma mobilização militar. Ele considera o clima de violência que reina atualmente no México comparável ao de 1992, que levou as comunidades indígenas de Chiapas (sudeste) a optar pela rebelião armada.

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