São Paulo- O presidente do México, Felipe Calderón, enviou ontem um projeto de lei ao Congresso para descriminalizar a posse de drogas em pequenas quantidades. De acordo com a proposta, usuários de maconha, ópio, cocaína, heroína e metanfetamina não seriam penalizados, mas encaminhados a centros de reabilitação.
''O que nós procuramos é não tratar o viciado como um criminoso, mas sim como uma pessoa doente e dar a ele tratamento psicológico e médico'', disse o senador Alejandro Gonzalez, presidente da comissão de Justiça do Senado. De acordo com o projeto, quem negar o tratamento, pode pegar até três anos e meio de prisão.
A tolerância para a posse seria de 2 gramas de maconha ou ópio, meia grama de cocaína, 50 miligramas de heroína e 40 miligramas de metanfetamina.
O plano, no entanto, pode enfrentar forte oposição de políticos mais conservadores e dos Estados Unidos. Em 2006, o então presidente do México Vicente Fox propôs projeto semelhante, que foi aprovado no Congresso. Por pressão dos EUA, no entanto, ele voltou atrás e vetou a lei, sob a justificativa de que a medida atrairia ''turistas da droga'' para o país.
O projeto atual é uma tentativa de Calderón de concentrar os esforços da polícia no combate a traficantes e não a usuários.
Segundo a proposta, os traficantes poderiam ser julgados nos Estados e não apenas na instância federal da Justiça, como acontece atualmente.
Em outro projeto separado de lei enviado ao Senado, Calderón pretende reformar e acabar com a corrupção na polícia. Segundo o presidente, o treinamento insuficiente e falta de coordenação entre as forças policiais atrapalha o combate à violência ligada às drogas e ao crime organizado. ''Eles (policiais) estão no limite, em termos de não compartilhar inteligência no combate ao crime, algo que eventualmente significa falta de organização na capacidade do Estado de lidar com o fenômeno da criminalidade'', afirmou o presidente.
Para analistas, até metade dos policiais mexicanos são pagos por cartéis da droga, que oferecem propinas bem maiores que o salário pago pelo governo.

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