Cidade do México - A decisão do governo americano de ampliar um muro fronteiriço na região da Califórnia provocou críticas no México, cujas autoridades reconhecem, no entanto, que pouco podem fazer para impedir esta nova barreira à migração.
Os Estados Unidos anunciaram ontem que aprovaram o uso de recursos federais para ampliar em cinco quilômetros o ''muro de segurança de San Diego''. Estes recursos fazem parte de um pacote financeiro de emergência, a cláusula Real ID, aprovada pelo Congresso americano e assinada na quarta-feira pelo presidente George W. Bush.
O chanceler Luis Ernesto Derbez classificou de ''verdadeira besteira'' a construção do muro, mas reconheceu que o México pouco pode fazer para impedi-lo, por se tratar de uma decisão soberana dos Estados Unidos. O único recurso que cabe ao México, segundo Derbez e o presidente Vicente Fox, é recorrer a tribunais internacionais para denunciar esta medida e qualquer outra ação que atente contra os direitos humanos dos mexicanos nos Estados Unidos.
Para Rafael Fernández de Castro, analista da relação entre México e Estados Unidos, a reação do governo Fox foi um mero impulso nacionalista, e deixou de lado uma resposta sensata e política. ''Isso é algo que nos incomoda, somos muito sensíveis a este tema, mas não devemos nos enrolar na bandeira do México. Não conseguiremos nada com isso, é pura retórica'', disse.
O analista explicou que a medida não deve ser vista como um sinal de endurecimento do governo americano, e sim significa uma ''batalha'' que o campo antiimigrante venceu no Congresso americano. Segundo Fernández de Castro, a segurança se tornou um assunto prioritário nos Estados Unidos, e o Congresso é cenário de uma guerra entre o setor antiimigrante, que quer erguer um muro fronteiriço, e outro, que reconhece os benefícios da migração de mexicanos para a economia americana.
''O que vimos foi a primeira grande batalha vencida pelos antiimigrantes, mas haverá outras batalhas e, no final, veremos quem vence a guerra'', destacou o analista, para quem o México deve buscar mecanismos para não depender tanto dos trabalhadores que buscam oportunidades nos Estados Unidos.
Vicente Fox assumiu a Presidência do México no ano 2000, com o compromisso de obter um amplo acordo migratório com os Estados Unidos, que permita legalizar a situação dos mexicanos que vivem sem documentos naquele país, cujo número é estimado em mais de 4,5 milhões. Mas após o 11 de Setembro, os Estados Unidos endureceram sua política migratória, e Bush ofereceu um acordo para trabalhadores temporários, que tampouco conseguiu levar adiante.

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