Madri - O ex-militar argentino Ricardo Miguel Cavallo, extraditado no sábado para a Espanha pelo México, negou-se ontem a prestar depoimento ante o juiz espanhol Baltasar Garzón, que o acusa pelos delitos de genocídio e terrorismo, informaram fontes judiciais.
O ex-capitão de corveta de 52 anos assegurou ao juiz desconhecer os autos do processo contra ele e pediu tempo para inteirar-se das acusações. O juiz suspendeu a audiência para atender ao pedido.
Cavallo afirmou desconhecer os delitos que lhe são imputados. Garzón acusa Cavallo de ter participado nos chamados ''vôos da morte'' (nos quais os opositores do regime militar foram jogados ao mar a partir de aviões), assim como de centenas de sequestros, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados de pessoas quando integrava os grupos de tarefa na Escola de Mecânica da Marinha (ESMA), um dos maiores centros de detenção clandestinos durante a ditadura argentina (1976-1983).
O ex-militar foi detido pela Justiça mexicana em agosto de 2000. Ele vivia no México com outro nome para fugir dos diversos processos contra ele. É acusado por prática de tortura e genocídio enquanto trabalhou na Esma, entre novembro de 1979 e maio de 1980.
O pedido de extradição foi encaminhado ao governo mexicano pelo juiz espanhol Baltazar Garzón, que julga casos de violação aos direitos humanos contra cidadãos espanhóis durante os governos militares da América Latina e ficou célebre ao pedir a extradição do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
A autorização para a extradição foi concedida pela Justiça mexicana, que tem um tratado bilateral para esses casos com a Espanha, e não teve interferência do governo argentino, apesar das críticas de setores ligados aos militares dentro do país. Esses segmentos alegam que a decisão ''atenta contra a soberania nacional''. O governo Kirchner, por sua vez, preferiu não interferir e até deu sinais de que irá facilitar novos pedidos. Só da Espanha, são 98.
O julgamento do ex-militar é visto como o primeiro passo para que outros casos como o dele sejam analisados e punidos. Na Argentina, há centenas de outros pedidos de extradição que foram negados durante os últimos governos. O atual presidente, Néstor Kirchner, já sinalizou que pretende facilitar o julgamento e a punição de militares que estiveram envolvidos com tortura.

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