São Paulo - A ministra de Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, afirmou ontem, em Cuba, que o governo mexicano concederá ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, qualquer ''figura migratória'' para colocar fim à crise em Honduras.
Ela disse que a legislação mexicana permite figuras como ''asilo'' ou ''visitante distinto'' e afirmou que Zelaya ''expressou seu desejo de sair de Honduras, mas não em qualidade de asilado''. Segundo ela, o México está disposto a apoiar uma saída, mas esclareceu que a ''qualidade migratória'' do governante deposto está ainda ''sob consideração e consulta''.
Na quinta-feira, a ministra disse que as condições para que Zelaya seja levado ao México ''não vigoram''. O governo do México estuda desde quarta-feira a entrega de um salvo-conduto para que o presidente deposto possa viajar ao país, mas o governo interino de Honduras negou no mesmo dia esse pedido. A alegação foi de que o texto da solicitação não indicava o status ''jurídico'' que as autoridades mexicanas dariam ao presidente deposto.
As autoridades afirmaram que só o concederiam a permissão se o presidente deposto deixasse o país como refugiado político - o que, no entanto, implicaria na renúncia de Zelaya, cujo mandato presidencial termina em 27 de janeiro.
Acordo entre Zelaya e Lobo
O presidente dominicano, Leonel Fernández, disse ontem que o presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, e o presidente eleito recentemente, Porfirio Lobo, viajarão à República Dominicana para buscar uma solução à crise política de Honduras, mas o governo interino negou ter recebido qualquer pedido de Zelaya nesse sentido.
Zelaya deverá chegará ao país caribenho amanhã e Lobo, na segunda-feira, anunciou Fernández durante uma entrevista coletiva ontem. O presidente eleito de Honduras, cuja posse está marcada para o próximo dia 27 de janeiro, viajou de férias para os Estados Unidos anteontem.
O presidente dominicano destacou que o diálogo político pretende superar a situação de crise que vive Honduras desde a deposição de Zelaya, em 28 de junho. Zelaya, que não confirmou se viajará à República Dominicana, agradeceu ontem a Fernández seu interesse em ver resolvida a crise em Honduras, informou o porta-voz do presidente deposto, Rasel Tomei.

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