Quase 90 milhões de mexicanos estavam registrados para a votação: além do presidente, foram escolhidos, governadores, prefeitos e deputados
Quase 90 milhões de mexicanos estavam registrados para a votação: além do presidente, foram escolhidos, governadores, prefeitos e deputados | Foto: Mario Vasquez/AFP


México - Os mexicanos compareceram às urnas neste domingo (01) para eleições gerais marcadas por uma violência brutal e nas quais o candidato à presidência esquerdista Andrés Manuel López Obrador é o favorito, com mais de 20 pontos de vantagem sobre os rivais. O resultado oficial da votação deve sair na madrugada desta segunda-feira (horário de Brasília). "Este é um dia histórico. O povo do México vai decidir livremente sobre quem deve encabeçar o governo nos próximos seis anos", afirmou López Obrador antes de votar.

"Nós pensamos que as pessoas vão dar o seu apoio (...). Vamos conseguir esta transformação sem violência, de maneira pacífica. Será uma mudança ordenada e ao mesmo tempo profunda porque vamos expulsar do país a corrupção", completou, ao lado da esposa e dos filhos em um colégio eleitoral na zona sul da Cidade do México.

Além da eleição para presidente, quase 90 milhões de mexicanos também votaram para escolher governadores, prefeitos e deputados locais e federais, entre os mais de 18 mil cargos em disputa.

CANSAÇO DA POPULAÇÃO
López Obrador, 64 anos, conseguiu capitalizar o cansaço da população após seis anos de governo de Enrique Peña Nieto, um mandato marcado pela corrupção e denúncias de violações dos direitos humanos. Em sua terceira tentativa consecutiva de chegar à presidência, AMLO, como é conhecido pelos mexicanos, se apresentou como o candidato antissistema. Caso as previsões de sua vitória sejam confirmadas, as eleições de 2018 representarão uma mudança no mapa político mexicano.

"O sistema de partidos estabelecido foi sacudido pelo avanço do Morena" (Movimento de Regeneração Nacional), afirmou Duncan Wood, diretor do Instituto México no Centro Woodrow Wilson.

As eleições foram ofuscadas pela campanha eleitoral mais violenta da história recente do México, com pelo menos 145 políticos assassinados desde setembro (48 eram pré-candidatos ou candidatos).

Um número significativamente maior que o registrado em 2012, quando nove políticos e um candidato foram assassinados.

Na manhã deste domingo (01), uma militante do Partido do Trabalho (PT) foi assassinada no estado de Michoacán, antes da abertura das seções eleitorais. Flora Resendiz González "faleceu quando era atendida em um hospital do município de Maravatío, após ser baleada por volta das 6h30 local, quando estava em casa", informou a procuradoria de Michoacán, oeste do México.

A sessão eleitoral contou com observadores da Organização de Estados Americanos provenientes de 23 países e a vigilância de policiais e militares em todo o país.

"SEM LUXOS E PRIVILÉGIOS"
O combate à violência e à corrupção, que ele relaciona com "a máfia do poder", é a prioridade dentro das muitas reformas prometidas por AMLO.

Em seu projeto para 2018-2024 também estão o apoio ao campo, a revisão dos contratos milionários da reforma energética, um governo "austero, sem luxos ou privilégios" e a redução dos salários dos altos funcionários públicos em até 50%. Tudo para estimular programas sociais e reduzir a pobreza.

O problema é que muitos mexicanos e analistas criticam a falta de propostas concretas e o que chamam de retórica "populista".

Uma das maiores dúvidas diz respeito a sua relação com o presidente Donald Trump e, sobretudo, como dois modelos tão antagônicos conviverão dos dois lados do Rio Bravo, em temas vitais como a migração e as negociações de um renovado Tratado de Livre Comércio.

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