Mesa se mantém no poder e sai em busca de pacto
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quarta-feira, 09 de março de 2005
France Presse 
La Paz - O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, renovou o aval no Congresso, que na terça-feira rejeitou sua renúncia, e agora busca um pacto social que lhe assegure governabilidade. O Congresso rejeitou a demissão de Mesa cujo governo está acuado por bloqueios de rodovias promovidos principalmente por organizações sociais lideradas pelo cocalero Evo Morales.
Estes protestos são manifestações regionais e exigem que o Estado controle a exploração petroleira, no momento nas mãos de corporações estrangeiras. A ratificação de Mesa foi alcançada mediante a um acordo entre as principais forças políticas que se comprometeram a assegurar a governabilidade do país e discutir uma nova lei de combustíveis.
O único partido que não aderiu ao acordo foi o Movimento Para o Socialismo (MAS) de Evo Morales promotor de bloqueios de rodovias e combativo opositor das empresas estrangeiras exploradoras dos recursos energéticos bolivianos. As organizações camponesas e os cultivadores de coca radicalizaram ontem seus protestos e fecharam as estradas que ligam a Bolívia ao Peru e ao Chile, como também a principal rodovia do país, poucas horas depois de o Congresso ratificar no poder o presidente Carlos Mesa.
A legislação, afirmou Mesa, garantirá bons lucros, como também a segurança jurídica, a quem está apostando na Bolívia e na soberania das decisões do governo sobre política de combustíveis.
Mesa, um independente de 51 anos, assumiu em outubro de 2003 após uma violenta rebelião contra a exportação de gás para a América do Norte, o que deixou inúmeras mortes e provocou a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez.
Após ter o seu aval renovado no Congresso para completar o mandato até 2007, Mesa, que conta com uma popularidade de 60%, pediu aos bolivianos que rejeitassem os bloqueios de estradas. ''Não ao bloqueio'', destacou Mesa ante simpatizantes que o aguardavam em frente à sede do Congresso e lançavam frases contra o bloqueio de rodovias, principal ferramenta das organizações de camponeses que seguem Morales.
Mesa convocou a população boliviana a se manifestar pacificamente hoje nas principais cidades do país. No entanto, ontem, piquetes de camponeses e indígenas seguidores de Morales bloqueavam estradas para pedir a nacionalização dos recursos energéticos e a convocação da Assembléia Constituinte.
Os indígenas mantinham bloqueada a estrada que liga La Paz a Cochabamba, assim como a ligação entre esta segunda cidade e Santa Cruz. Em Santa Cruz, pulmão econômico da Bolívia, há uma greve contra o aumento das tarifas de transporte público.


