Berlim - A chefe do governo alemão, Angela Merkel, e o presidente do governo francês, Nicolas Sarkozy, se esforçaram ontem para demonstrar sintonia quanto à crise financeira, em particular sobre a permanência da Grécia na zona do euro, mas persistem as divergências sobre a introdução de uma taxa nas transações financeiras.
Sarkozy reiterou a determinação em agir sozinho para cobrar este imposto de transações financeiras internacionais, conhecida como taxa Tobin, enquanto a chanceler alemã é partidária de buscar um compromisso em nível europeu.
A chanceler educadamente considerou que o anúncio francês é ''uma boa iniciativa'', mas repetiu que, da parte alemã, ''o objetivo (é) ter uma declaração de intenções dos ministros das Finanças (da União Europeia) para o início de março''.
O objetivo é mais que otimista, se for levada em conta a oposição frontal da Grã-Bretanha, que deseja preservar os interesses da praça financeira de Londres. Merkel acrescentou que, ''pessoalmente'', pode-se ''imaginar uma taxa a um nível da Eurozona'' apenas, mas informou que esta opção não é apoiada por todo o seu governo.
O partido conservador CDU de Angela Merkel governa com o apoio da pequena formação bávara CSU e do partido liberal em plena decomposição FDP, e todos temem uma deserção do centro financeiro de Frankfurt à City de Londres.
Nas demais questões, o casal ''Merkosy'' mostrou estar de acordo sobre o que é preciso fazer para conter uma crise da Eurozona que se agrava, apesar das diferenças de tom quando se trata de hierarquizar os esforços de disciplina e de crescimento.
Para Sarkozy, a prioridade é fomentar o emprego, enquanto Merkel prefere falar de ''segundo pilar'', junto com a disciplina fiscal defendida por seu país. Os dois líderes falaram em termos imprecisos de iniciativas para incentivar o emprego, inspiradas nas reformas realizadas em alguns países e que serão determinadas ao término de um estudo comparativo.

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