Agência Estado
De Montevidéu
A eleição de Tabaré Vázquez poderia resultar num presidente uruguaio menos desanimado com o Mercosul do que a de Jorge Batlle. O colorado já manifestou desalento perante a integração, preferindo que o Uruguai estreite seus laços com a Europa, exportando-lhes seus cavalos de raça, trigo e leite, e não tenha o destino atado a um país como o Brasil, visto como instável e corrupto.
Não que Tabaré seja um entusiasta do Mercosul. ‘‘Ninguém sabe, nem Tabaré, o que acontecerá em relação ao Mercosul se ele vencer’’, assegura o sociólogo Gerónimo de Sierra, cotado para ser chanceler, se Tabaré for eleito. Sierra é cauteloso: ‘‘ele deverá defender iniciativas sociais do bloco, e não apenas econômicas e políticas, e também mais espaço para o Uruguai’’.
Internamente, o perfil mais à esquerda de Tabaré também não pressupõe mudança radical na economia. Ele lidera uma coalizão que abriga de moderados até ex-guerrilheiros. Entretanto, Tabaré declara-se comprometido com a estabilidade monetária e a ortodoxia fiscal.
A mudança econômica mais importante no programa da Frente Ampla é a introdução do imposto de renda para pessoa física, no lugar do Imposto de Retribuições Pessoais, que incide apenas sobre assalariados, aposentados e profissionais liberais.
Batlle argumenta que ‘‘o país não está em condições de resistir a mais tributos’’ e declara o Plano de Emergência, pacote de medidas sociais proposto por Tabaré, uma ameaça ao equilíbrio fiscal.

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