Concluiu-se ontem, em Buenos Aires, a reunião de cúpula dos ministros da Justiça e do Interior do Mercosul, mais o Chile e a Bolívia, que debateu o combate ao terrorismo. Os ministros concordaram em preparar uma proposta conjunta da região, que será apresentada na cúpula sobre antiterrorismo da Organização dos Estados Americanos (OEA), que a ser realizada no balneário argentino de Mar del Plata nos dias 24 e 25 de novembro.
Os detalhes dessa proposta, que inclui o aumento da segurança na região da Tríplice Fronteira (onde se suspeita que existam focos terroristas), além do controle sobre a imigração, a lavagem de dinheiro e os vôos clandestinos, serão elaborados pelos técnicos dos ministérios nos próximos dez dias. Antes, os ministros voltarão a se encontrar em uma reunião prévia no Departamento de Estados dos EUA, em Washington, nos dias 15 e 16 de outubro.
No entanto, o tema paralelo que agitou a reunião de cúpula foi o affaire Wilson dos Santos, um brasileiro considerado pela Justiça argentina e pelo FBI como testemunha fundamental para esclarecer o atentado contra a associação beneficente judaica AMIA, ocorrido em 1994.
Santos, que alertou há dias sobre a preparação do atentado e que posteriormente prestou depoimento à Justiça argentina, está desaparecido há quase quatro anos. Na semana passada, declarações do ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, de que o governo brasileiro não fazia esforços para localizar Santos, causaram um incidente diplomático que foi resolvido graças ao pedido de desculpas do argentino.
O ministro da Justiça do Brasil, Renan Calheiros, disse à imprensa argentina em Buenos Aires que ‘‘para demonstrar nossa boa vontade, trouxe o diretor da Polícia Federal do Brasil e pessoal do serviço de Inteligência’’. Enquanto ocorria o encontro entre ministros, o diretor da PF, Vicente Chelotte, reuniu-se com seu colega da Polícia Federal argentina, Jorge Palacios. Ambos concordaram em estabelecer uma ação conjunta para encontrar Wilson dos Santos.
Chelotte afirmou que ‘‘vamos continuar correndo atrás de Wilson dos Santos, que evaporou. A Argentina já apresentou alguns dados paralelos e levará informações para nós no Brasil. Os argentinos possuem outros endereços de Santos que conseguiram graças à colaboração do FBI e do serviço secreto israelense, o Mossad’’.

mockup