Luque, Paraguai - O aumento do fluxo migratório de venezuelanos levou os membros fundadores do Mercosul a pedirem ao país comandado pelo ditador Nicolás Maduro, nesta segunda (18), que aumente os canais de acesso a ajuda humanitária internacional. Em comunicado assinado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, após a cúpula dos presidentes do grupo, em Luque, na Região Metropolitana de Assunção, também foi decidido que o bloco priorizará a coordenação de esforços para dar respostas à migração e refúgio de venezuelanos.

Não foi definida, no entanto, nenhuma nova sanção contra o país, que era membro do Mercosul, mas acumula duas suspensões do bloco. A última delas é de agosto do ano passado, tomada após a formação de Assembleia Constituinte em Caracas. "Lamentamos dizer [que há] uma certa ruptura na ordem democrática da Venezuela e nós continuamos vigilantes frente a uma deterioração humanística no quadro daquele país", disse o presidente Michel Temer em seu discurso.

Segundo ele, foi o "dever de fidelidade aos valores essenciais" como democracia, liberdades fundamentais e direitos humanos que levou o bloco a sancionar o país vizinho. "Se nós quiséssemos passar os olhos pela história, veríamos quanto sacrifício os povos fizeram para alcançar esses direitos. Não foi por outra razão que nós aplicamos o protocolo de Ushuaia", afirmou Temer, citando o compromisso de democracia assinado pelo grupo em 1998.

Temer afirmou que nesta terça-feira (19) estará em Roraima para vistoriar as instalações de refugiados venezuelanos construídas no Estado. "O povo irmão atravessa um momento preocupante e não há espaço para hesitações por isso que agimos dessa maneira", avaliou.

A crise humanitária na Venezuela foi citada ainda pelo presidente do Paraguai, Horacio Cartes. Em meio a uma série de demissões de ministros e problemas econômicos, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, faltou à cúpula.

Em outro comunicado, o Mercosul condenou a violência na Nicarágua e pediu que haja o retorno do diálogo entre o governo e manifestantes. Há pelo menos dois meses uma onda de confronto entre forças do presidente Daniel Ortega e manifestantes já deixaram 170 mortos - a mais letal repressão desde o fim da guerra civil, em 1990.

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