Os menores embarcados no ‘‘Etireno’’, vítimas presumíveis do tráfico de crianças, estão em bom estado de saúde, embora cansados, pelo que muitos não puderam prestar depoimento na investigação judicial aberta.
O ‘‘Etireno’’, um navio de bandeira nigeriana, fretado por um beninense, suspeito de transportar até 250 crianças que seriam destinados a trabalhos forçados na África Ocidental, chegou por volta da 1h20, hora local, em Cotonou.
O navio atracou no cais número 5, onde estava sendo aguardado por policiais, representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da organização Terra de Homens, da Cruz Vermelha beninense, assim como por dois ministros de Benin, o de Transportes, Atin Suru, e a de Proteção e Assuntos Sociais, Ramatu Babamussa.
Cansados e aliviados, os 147 passageiros, entre eles pelo menos 23 crianças, de entre 5 e 14 anos, e 20 adolescentes, desembarcaram imediatamente. Várias organizações humanitárias e a Cruz Vermelha beninense tomaram conta deles.
‘‘Passaram por exame médico. Em geral, estão em bom estado de saúde e não apresentam patologias sérias. Estavam famintos’’, precisou à AFP Alfonso González, responsável pela ONG Terra de Homens.
Segundo depoimentos recolhidos pela AFP sobre o ‘‘Etireno’’, entre passageiros e tripulantes, as pessoas a bordo foram detidas de forma provisória durante três dias, em más condições materiais durante a escala em Libreville nos primeiros dias de abril. Passaportes e documentos de identidade foram destruídos pela polícia do Gabão.
Se essas afirmações forem confirmadas, isto complicará a tarefa das autoridades beninenses para identificar os passageiros, de várias nacionalidades, e de assegurar-lhes sua situação legal.
Uma denúncia por crimes contra a humanidade foi apresentada na Espanha por uma associação de defesa dos direitos humanos contra os dirigentes do navio, o que provocou um pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón à Interpol para receber um informe sobre o ‘‘Etireno’’, com o objetivo de decidir se abre processo.
O capitão do ‘‘Etireno’’, Lawrence Onome, de nacionalidade nigeriana, não foi autorizado a falar com a imprensa.

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