Menores desembarcam do Etireno famintos e sem documentos
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de abril de 2001
France Press De Cotonou 
Os menores embarcados no Etireno, vítimas presumíveis do tráfico de crianças, estão em bom estado de saúde, embora cansados, pelo que muitos não puderam prestar depoimento na investigação judicial aberta.
O Etireno, um navio de bandeira nigeriana, fretado por um beninense, suspeito de transportar até 250 crianças que seriam destinados a trabalhos forçados na África Ocidental, chegou por volta da 1h20, hora local, em Cotonou.
O navio atracou no cais número 5, onde estava sendo aguardado por policiais, representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da organização Terra de Homens, da Cruz Vermelha beninense, assim como por dois ministros de Benin, o de Transportes, Atin Suru, e a de Proteção e Assuntos Sociais, Ramatu Babamussa.
Cansados e aliviados, os 147 passageiros, entre eles pelo menos 23 crianças, de entre 5 e 14 anos, e 20 adolescentes, desembarcaram imediatamente. Várias organizações humanitárias e a Cruz Vermelha beninense tomaram conta deles.
Passaram por exame médico. Em geral, estão em bom estado de saúde e não apresentam patologias sérias. Estavam famintos, precisou à AFP Alfonso González, responsável pela ONG Terra de Homens.
Segundo depoimentos recolhidos pela AFP sobre o Etireno, entre passageiros e tripulantes, as pessoas a bordo foram detidas de forma provisória durante três dias, em más condições materiais durante a escala em Libreville nos primeiros dias de abril. Passaportes e documentos de identidade foram destruídos pela polícia do Gabão.
Se essas afirmações forem confirmadas, isto complicará a tarefa das autoridades beninenses para identificar os passageiros, de várias nacionalidades, e de assegurar-lhes sua situação legal.
Uma denúncia por crimes contra a humanidade foi apresentada na Espanha por uma associação de defesa dos direitos humanos contra os dirigentes do navio, o que provocou um pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón à Interpol para receber um informe sobre o Etireno, com o objetivo de decidir se abre processo.
O capitão do Etireno, Lawrence Onome, de nacionalidade nigeriana, não foi autorizado a falar com a imprensa.


