Menem volta à Argentina em baixa
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2004
Oscar Laski<br> Agência France Presse 
Buenos Aires - O ex-presidente Carlos Menem (1989-99) chegará hoje à Argentina para preparar sua candidatura às eleições de 2007 e criar uma força de oposição de centro-direita, mas terá de reconstruir sua popularidade antes de dividir com o presidente Néstor Kirchner o centro do panorama político.
''O plano consiste, em primeiro lugar, em se preparar para as eleições internas do peronismo. Depois, vou colaborar com meus companheiros nas legislativas (de 2005). Em 2007, estaremos na linha de largada para competir pela presidência'', afirmou Menem ao delinear sua estratégia de reinserção na política argentina depois de viver 13 meses no Chile.
Menem, de 74 anos, garantiu que viverá ''com muita emoção e alegria'' seu retorno, na noite de hoje, a La Rioja, sua província natal.
O ex-presidente vai se estabelecer na emblemática residência de La Rosadita, em seu pequeno povoado de Anillaco de La Rioja, um imóvel que consta da lista apresentada por sua filha Zulema como parte da caução de três milhões de pesos (um milhão de dólares), fixada pelo juiz Norberto Oyardbide, para que a ordem de prisão fosse suspensa.
Em conversa com a Rádio Continental, Menem precisou que não viajará acompanhado de sua esposa, Cecilia Bolocco, nem de seu filho, Máximo. Eles chegarão à Argentina na sexta-feira para passar o Natal como Menem na residência de Anillaco.
O governo tentava ontem minimizar o efeito político do retorno de Menem, que tentará criar uma oposição de centro-direita dentro do peronismo.
O ministro do Interior, Aníbal Fernández, classificou Menem como um ''animal político'' no sentido ''aristotélico'' do termo, mas disse acreditar que ''não existe o ambiente'' propício para a reinserção de Menem na política argentina.
Segundo uma pesquisa da consultora Analogías, Menem, acusado em vários casos de corrupção, é o político argentino com menor popularidade: 9% de aceitação.
Já Kirchner registra pelo menos 70% de popularidade depois de 19 meses no poder e conseguiu reunir ao seu redor grande parte dos dirigentes peronistas.
Kirchner representa a ala progressista do heterogêneo partido oficialista (peronista), enquanto Menem lidera o setor de centro-direita.
Menem classificou de ''regular'' a gestão de Kirchner ao considerar que não resolveu o problema do elevado desemprego e da pobreza.
O ex-presidente venceu Kirchner por pouca diferença nas eleições presidenciais de abril de 2003 (24,45% a 22,24%), mas Menem não se apresentou para o segundo turno diante das perspectivas de derrota.
O juiz Norberto Oyarbide investiga Menem pela suposta posse de uma conta num banco suíço de 600.000 dólares, que não teria sido incluída em sua declaração de bens. Enquanto um outro juiz, Jorge Urso, tenta descobrir se foram pagos preços superfaturados na construção de duas prisões na província de Buenos Aires.


