Menem terá que depor sobre venda de armas
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terça-feira, 24 de abril de 2001
Associated Press De Buenos Aires 
Suspeito de ser o chefe de uma associação ilícita criada para a venda de armas à Croácia e ao Equador entre 1991 e 1995, o ex-presidente argentino Carlos Menem será intimado a depor na Justiça. O pedido de citação foi feito pelo promotor Carlos Stornelli ao juiz Jorge Urso, que preside o rumoroso processo considerado o maior escândalo de corrupção de toda a administração Menem (1989 a 1999).
O promotor Stornelli quer interrogar também outros suspeitos de serem os organizadores da associação ilícita e incluiu o nome deles no pedido enviado ao juiz Urso: o ex-ministro da Defesa Antonio Ermán González e o ex-comandante do Exército, general Martín Balza.
Não tenho nenhum comentário a fazer, já que o que tinha a dizer o disse publicamente, disse Balza ao ser notificado da intimação.
A citação de Menem era esperada nos meios políticos argentinos desde o dia 7, quando a Justiça emitiu ordem de prisão contra seu ex-cunhado Emir Yoma. Ex-assessor de Menem, Yoma é acusado de ter sido o articulador do grupo.
O ex-presidente não fez nenhum comentário imediato, mas já havia dito reiteradas vezes que um decreto por ele assinado legalizou a venda de armas para o Panamá e a Venezuela, e responsabilizou contrabandistas pelo desvio dos armamentos. Ele também procurou inocentar o ex-cunhado e seus ex-ministros.
As armas, que se destinavam oficialmente à Venezuela e ao Panamá, foram parar nos Bálcãs que, na época (1991), eram incendiados por sangrentos conflitos envolvendo Sérvia, Croácia e Bósnia-Herzegovina. Vigorava então um embargo internacional de armas para região. Para o Equador, as armas teriam sido contrabandeadas em 1995 quando este país e o Peru mantinham sangrenta disputa fronteiriça.
A Argentina condenou a escalada da violência nos Bálcãs.


