Ansa
De Buenos Aires
O presidente da Argentina, Carlos Menem, suspendeu ontem uma reunião que teria com seu colega paraguaio, Luis González Macchi. Ele exigiu também pedidos oficiais de desculpas de Assunção pelas críticas feitas a Buenos Aires por conta do asilo político do ex-general golpista Lino César Oviedo.
‘‘Enquanto não ocorra uma retificação por parte do governo paraguaio, será impossível reunir-se’’, disse Menem. Ele disse ainda que por enquanto Oviedo continua na Argentina.
O mandatário argentino disse que não se referia às graves acusações feitas ao seu governo por deputados paraguaios, mas sim as críticas de funcionários do governo. O ministro da Defesa do Paraguai, Nelson Argaña, um dos filhos do vice-presidente Luis Argaña, assassinado em 23 de março passado, chamou Menem de ‘‘sem vergonha’’ por se negar a extraditar o ex-militar.
O presidente Menem pretendia se encontrar com o presidente do Paraguai, Luis González Macchi, para discutir a crise entre os dois países. Ele informou que Oviedo permanecerá em Buenos Aires e não será transferido para a Patagônia, como se pretendia no começo. Agora surgem rumores de que Oviedo deixaria a Argentina com destino à Venezuela ou Alemanha. Otimista, Menem disse que, embora as relações entre os dois países estejam tensas, na semana que vem tudo se resolverá com os embaixadores voltando a ocupar seus postos. Atualmente, os embaixadores dos países envolvidos estão em seus respectivos países para consultas.
Menem aproveitou para pedir à Aliança, de oposição, que o criticou por não extraditar Oviedo, que imitasse a oposição uruguaia. É que diante das críticas de Assunção a Montevidéu, os esquerdistas se uniram para defender o atual presidente do Uruguai, Julio María Sanguinetti. Montevidéu também se negou a extraditar o ex-general e ex-ministro da Defesa, José Segovia Boltes. Ao lado de Oviedo, Boltes também é acusado de autor intelectual do assassinato de Argaña.

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