Menem quer voltar à presidência
O ex-presidente Carlos Menem afirmou ontem que está disponível para disputar uma eventual eleição antecipada na Argentina, mas admitiu que isto seria lamentável para o país. Em uma entrevista concedida à Televisão Nacional do Chile, Menem destacou que não acredita na possibilidade de antecipação das eleições, apesar da crise política e econômica que abala a Argentina. Seria lamentável para a Argentina enfrentar um processo de eleição antecipada. Espero que se cumpra o prazo estabelecido pela Constituição Nacional (para o mandato do presidente De la Rúa) para entrarmos então na campanha eleitoral (....) mas se o chamado para as eleições surgir, sim, estou disponível.
Não se pode entrar para competir no mundo político-eleitoral sem se ter a mínima segurança de poder desempenhar um bom papel, disse Menem durante a entrevista.
Há muito tempo que o Movimento Nacional Justicialista faz uma oposição civilizada, uma oposição de alto nível, procurando para a Argentina uma saída desta situação difícil, disse Menem.
O ex-presidente (1989-1999) lembrou que já foram quatro planos econômicos. Este é o quinto e esperamos que seja o definitivo. Se falharmos neste a situação vai ficar muito difícil, muito crítica, muito grave.
Menem lidera o Partido Justicialista (peronistas), principal grupo de oposição à Aliança governista integrada pela União Cívica Radical (social-democrata) e a Frepaso (centro-esquerda).
Em 1989, no início de seu primeiro mandato, Menem assumiu o governo argentino seis meses antes do final do mandato do presidente radical Raul Alfonsin, em meio a uma grave crise econômica.
Menem reconheceu que quer ser presidente de novo, ao responder a uma pergunta sobre seu estilo extrovertido. Com minha forma de ser cheguei à presidência duas vezes e só não cheguei pela terceira porque não me deixaram, queixou-se, referindo-se à restrição constitucional a dois mandatos consecutivos.
O ex-presidente argentino recebeu um cachê de 100 mil dólares para participar da entrevista no Chile, dinheiro que, segundo disse, daria a instituições de caridade.
Ontem, em Buenos Aires, corriam boatos sobre a possível renúncia do presidente Fernando De la Rúa que foram, porém, sistematicamente desmentidos.





