O presidente argentino Carlos Menem lançou ontem um inesperado desafio: afirmou que aceita a realização de um plebiscito que decida se a Constituição argentina deverá ser modificada ou não para que possa ser candidato à sua segunda reeleição. O desafio estava diretamente endereçado à coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, mas também foi enviado ao governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, seu inimigo interno do próprio partido do governo, o Justicialista (também conhecido como ‘‘peronista’’).
‘‘Se o plebiscito for vinculante, e eu vencer, terei que ser candidato’’, disse Menem, o que foi interpretado como um sinal de que o anúncio oficial de que será candidato poderá ocorrer nos próximos dias.
‘‘El Turco’’, como é popularmente denominado, afirmou que a oposição tem medo e não vai querer fazer um plebiscito que vincule o resultado à uma modificação da Constituição. Com ironia, o presidente disse que agradecia à oposição pela proposta de plebiscito, sobre o qual afirmou que vencerá ‘‘amplamente’’.
Menem manteve-se ambíguo durante seu discurso: em alguns momentos falou no plebiscito, no qual desafiava a oposição e onde já profetizava que seria o vencedor. No entanto, em outros momentos Menem disse que estaria ao lado de quem fosse o candidato do partido peronista, como se não existisse uma movimentação em seu favor dentro do partido. O presidente também afirmou que se o fundador de seu partido, o presidente e general Juan Domingo Perón estivesse vivo, ‘‘estaria orgulhoso de mim’’. Menem disse que de certa forma, é ‘‘o delfim de Perón’’.
No fim de semana, a Aliança UCR-Frepaso havia proposto a realização de plebiscitos limitados às províncias onde controla os governos, como forma de definir a seu favor a controvertida segunda reeleição de Menem, ou a ‘‘re-reeleição’’, como é chamada na Argentina. Imediatamente, o governador Duhalde propôs que a consulta popular fosse ampliada a todo o país, projeto que é rejeitado pela Aliança.
Menem foi eleito em 1989 e reeleito em 1995. No entanto, a Constituição proíbe que ele possa ser candidato à uma segunda reeleição. Para modificá-la, existiriam três vias: uma reforma no Parlamento, onde não possui maioria; uma modificação através da Corte Suprema, e um plebiscito. Nestas duas últimas hipóteses, o resultado é incerto, mas Menem aposta em seu carisma e no seu poder de influência.France PresseMenem exige que Constituição seja modificada caso vença a consultaAriel Palácios
Agência Estado

mockup