Menem pode ser detido por contrabando
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quarta-feira, 06 de junho de 2001
Ariel Palacios Agência Estado De Buenos Aires 
O cerco judicial ao ex-presidente argentino Carlos Menem está se fechando cada vez mais. Ontem, o ex-chefe do Exército durante o governo Menem, o general Martín Balza, foi prestar depoimento sobre o escândalo do contrabando de armas à Croácia e Equador entre 1991 e 1995. Balza saiu dali detido, direto para a prisão militar de Campo de Mayo.
Para os analistas políticos, a detenção de Balza foi o prelúdio da detenção de Menem, que poderá ocorrer hoje, a partir das 10 horas (hora local), quando o ex-presidente chegará ao edifício dos tribunais, no bairro de Retiro, para prestar esclarecimentos sobre sua participação no caso das armas.
O juiz Urso suspeita que Menem poderia ser o líder de uma organização mafiosa que realizou o contrabando de 6.575 toneladas de armas para a Croácia e o Equador entre 1991 e 1995. No entanto, por ter mais de 70 anos, Menem poderia cumprir a pena em prisão domiciliar.
O Hotel Presidente na Avenida 9 Julho, onde Menem comemorou sua vitória na eleição de 1989 transformou-se no quartel-general para enfrentar a pior crise da história do menemismo. Para os analistas políticos, chegou o capítulo final de um império político construído ao longo de uma década, que já não conseguia sobreviver à mudança de poder ocorrida em 1999, quando a oposição venceu as eleições.
Segundo pessoas próximas a Menem, El Jefe (O Chefe), como ficou conhecido nos tempos de glória, estava preocupado e abatido ontem. Foi necessário chamar seu médico pessoal por temor de que ele se sentisse mal.
A quinze quarteirões dali, no edifício dos tribunais, no bairro de Retiro, os advogados de Menem exasperavam-se e afirmavam que não havia condições para que seu cliente pudesse se defender adequadamente. No mesmo instante, no hotel, começava uma intensa pancadaria entre os porteiros e jornalistas. Simultaneamente, o presidente Fernando de la Rúa almoçava na residência oficial de Olivos com o ex-candidato às eleições presidenciais de 1999, Eduardo Duhalde, principal inimigo de Menem dentro do peronismo. De la Rúa disse que as conversações com Duhalde haviam sido sobre a necessidade de união nacional nestes momentos difíceis.
No fim da tarde, El Turco, como é conhecido Menem popularmente, apareceu com a costumeira maquiagem que usa para esconder as acentuadas rugas em um salão do hotel para fazer uma declaração à imprensa. Rodeado de um punhado de remanescentes fiéis e da esposa, Cecilia Bolocco, Menem afirmou, parafraseando o herói venezuelano Simón Bolívar, que poderia ficar acorrentado, mas em minha pátria. Não sou culpado. Minha verdade é a verdade verdadeira.


