O cerco judicial ao ex-presidente argentino Carlos Menem está se fechando cada vez mais. Ontem, o ex-chefe do Exército durante o governo Menem, o general Martín Balza, foi prestar depoimento sobre o escândalo do contrabando de armas à Croácia e Equador entre 1991 e 1995. Balza saiu dali detido, direto para a prisão militar de Campo de Mayo.
Para os analistas políticos, a detenção de Balza foi o prelúdio da detenção de Menem, que poderá ocorrer hoje, a partir das 10 horas (hora local), quando o ex-presidente chegará ao edifício dos tribunais, no bairro de Retiro, para prestar esclarecimentos sobre sua participação no caso das armas.
O juiz Urso suspeita que Menem poderia ser o líder de uma organização mafiosa que realizou o contrabando de 6.575 toneladas de armas para a Croácia e o Equador entre 1991 e 1995. No entanto, por ter mais de 70 anos, Menem poderia cumprir a pena em prisão domiciliar.
O Hotel Presidente – na Avenida 9 Julho, onde Menem comemorou sua vitória na eleição de 1989 – transformou-se no quartel-general para enfrentar a pior crise da história do ‘‘menemismo’’. Para os analistas políticos, chegou o capítulo final de um império político construído ao longo de uma década, que já não conseguia sobreviver à mudança de poder ocorrida em 1999, quando a oposição venceu as eleições.
Segundo pessoas próximas a Menem, ‘‘El Jefe’’ (‘‘O Chefe’’), como ficou conhecido nos tempos de glória, estava ‘‘preocupado e abatido’’ ontem. Foi necessário chamar seu médico pessoal por temor de que ele se sentisse mal.
A quinze quarteirões dali, no edifício dos tribunais, no bairro de Retiro, os advogados de Menem exasperavam-se e afirmavam que não havia ‘‘condições’’ para que seu cliente pudesse se defender ‘‘adequadamente’’. No mesmo instante, no hotel, começava uma intensa pancadaria entre os porteiros e jornalistas. Simultaneamente, o presidente Fernando de la Rúa almoçava na residência oficial de Olivos com o ex-candidato às eleições presidenciais de 1999, Eduardo Duhalde, principal inimigo de Menem dentro do peronismo. De la Rúa disse que as conversações com Duhalde haviam sido sobre ‘‘a necessidade de união nacional nestes momentos difíceis’’.
No fim da tarde, ‘‘El Turco’’, como é conhecido Menem popularmente, apareceu – com a costumeira maquiagem que usa para esconder as acentuadas rugas – em um salão do hotel para fazer uma declaração à imprensa. Rodeado de um punhado de remanescentes fiéis e da esposa, Cecilia Bolocco, Menem afirmou, parafraseando o herói venezuelano Simón Bolívar, que poderia ficar ‘‘acorrentado, mas em minha pátria. Não sou culpado. Minha verdade é a verdade verdadeira’’.

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