Menem pedirá devolução das Malvinas
O presidente argentino, Carlos Menem, vai estar em Londres em novembro para uma entrevista com a rainha Elisabeth II
Ariel Palácios
Especial para a AE
Arquivo FolhaTrunfo para Carlos MenemPela primeira vez na História, um presidente argentino solicitará a um rei britânico que devolva as ilhas Malvinas à Argentina. Se os ingleses não considerarem que a idéia de Menem poderá aguar o chá da rainha, o inédito evento ocorreria em novembro, para quando está prevista a visita do presidente Carlos Menem a Londres.
Até poucos dias, imaginava-se que a viagem do presidente seria apenas uma visita oficial à Grã-Bretanha, que, apesar dos esforços argentinos, estava condicionada a evitar completamente o tema da soberania do disputado arquipélago.
No entanto, a ida de Menem a Londres passará a ser uma visita de Estado. A troca de status ocorreu após o convite para encontrar-se com Elisabeth II, realizado através de uma carta que a rainha enviou pelas comemorações do dia 25 de maio, data nacional argentina. ‘‘Fico à espera de nosso encontro em Londres daqui a alguns meses’’, escreveu a monarca. O convite tornou-se um verdadeiro trunfo para Menem: esta será a primeira visita de um presidente argentino a Londres, desde a invasão argentina às Malvinas, em abril de 1982, e sua posterior derrota pelas tropas britânicas, três meses depois.
Neste fim de semana, Menem declarou à imprensa que durante o chá com a rainha britânica um dos temas em pauta será a reivindicação argentina sobre as ilhas Malvinas, tomadas pelos ingleses em 1833. ‘‘O governo continua trabalhando incansavelmente para possibilitar que sejam reconhecidos os direitos da Argentina.’’ Segundo Menem, atualmente existem condições para que a soberania das ilhas Malvinas seja discutida outra vez.
O interesse em discutir o futuro das Malvinas aumentou, quando na semana passada, a plataforma marítima Borgny Dolphin, da empresa petrolífera Amerada Hess, descobriu pela primeira vez na História, indícios de petróleo a poucas milhas do norte das ilhas. ‘‘Petróleo nas Malvinas’’, publicou exultante o britânico jornal ‘‘The Times’’.
O chanceler argentino, Guido Di Tella, tentou relativizar a notícia, e sustentou que são apenas rastros de petróleo, que ainda não está confirmado, e que além disso, com a descoberta de petróleo, ‘‘haveria algo mais para disputar com a coroa’’. Mais impaciente, o presidente Menem não quis esperar a confirmação, e já fez declarações contando com o lucro que imagina que seu país terá: ‘‘Receberemos entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões por ano em royalties de petróleo e gás’’.
Di Tella esteve em Londres, onde se reuiu com o chanceler Robin Cook, para discutir a suspensão do embargo de armas britânicas à Argentina, realizado desde a Guerra das Malvinas. Segundo Di Tella, agora que a Argentina é aliado extra-Otan dos Estados Unidos, ‘‘seria anacrônico e absurdo’’ que esse embargo continuasse.
Di Tella anunciou que a Argentina também propôs ajuda para a desativação das milhares de minas explosivas deixadas pelas tropas nas Malvinas, e que causaram o isolamento de diversos campos nas ilhas. Di Tella também negou que estejam ocorrendo negociações secretas pelas ilhas, e rechaçou a versão do ex-chanceler Dante Caputo de que o governo Menem propôs o congelamento das discussões sobre a soberania das ilhas pelo prazo de 20 anos.
Além das soberania das ilhas, tema que os ingleses se recusam a discutir, a agenda proposta pela argentina inclui as atividades petrolíferas conjuntas e a retomada das comunicações entre as ilhas e a Argentina. Antes da guerra havia um intenso intercâmbio comercial entre o continente e o arquipélago, doentes graves eram levados das ilhas e tratados em hospitais da Patagônia, e diversos estudantes das ilhas realizavam o colegial e a universidade em Buenos Aires. Mas desde o conflito bélico, isso terminou, e os cidadãos argentinos não podem entrar nas ilhas, a não ser com passaporte de outro país.

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