Menem não assume culpa pela derrota
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de outubro de 1997
Ariel Palácios Agência Estado 
Arquivo FolhaMenem: Continuo invictoCarlos Menem continua invicto, disse, na terceira pessoa, o próprio presidente à imprensa argentina ontem, em suas primeiras declarações após sofrer a primeira derrota eleitoral nacional de todo seu governo.
Menem conversou com a imprensa sobre a derrota nas eleições de domingo para a renovação de 50% da Câmara de Deputados. Os peronistas perderam a maioria. Ao contrário da semana passada, quando havia afirmado com otimismo que a votação seria um plebiscito para o governo, Menem agora diz: O governo federal não passou por um plebiscito, os responsáveis são os governadores.
Menem considera que a oposicionista Aliança venceu porque adotou habilmente o programa do governo. A oposição apóia os pontos fundamentais do modelo econômico inaugurado por Menem: a paridade dólar-peso e as privatizaqções, mas critica o alto desemprego e a corrupção.
A Aliança, uma coalizão dos dois principais partidos da oposição, a União Cívica Radical e a Frepaso, venceu com 45,6% dos votos de todo o país, enquanto que o governista Partido Justicialista (PJ), mais conhecido por Peronista, obteve 36,1%.
Apesar da perda da maioria, Menem disse que não precisará realizar pactos com a oposição, e que a governabilidade está garantida. Continuamos sendo a primeira minoria na Câmara de Deputados e a maioria no Senado.
As eleições adquiriram dimensões pré-presidenciais, e serviram como uma peneira para os aspirantes a presidenciáveis para as eleições de 1999. Analistas políticos calculam que o presidente argentino jogará com todos os potenciais candidatos contra o atualmente enfraquecido Eduardo Duhalde. Ele é o governador da província de Buenos Aires, que foi o principal campo de batalha entre o governo e a Aliança na eleição de domingo.
Duhalde assumiu a paternidade da derrota e é considerado o principal derrotado desta eleição. Mesmo com sua sustentação política abalada, o governador anunciou que continuará na corrida presidencial. Mas Menem citou outros dois potenciais candidatos peronistas: Ramón Palito Ortega, um cantor que se transformou em governador de Tucumán, e Carlos Reutemann, o ex-piloto de Fórmula 1 e atual senador.
Graciela Fernández Meijide foi a grande vitoriosa desta eleição. Candidata pela Aliança, liderou a lista de deputados na província de Buenos Aires que obteve 48% contra 41% do Partido Justicialista e é considerada a mais forte presidenciável da Aliança. Fernández Meijide considera que primeiro Menem estará sensibilizado pela derrota, mas que depois surgirá um Menem diferente, aberto ao diálogo. Em geral, ele é bastante realista...
Entretanto, Meijide afirma que ela, como todos, temos medo que Menem comece a ter chiliques antes de deixar o poder. E nós teremos que impedi-lo. Ele deverá perceber que o caudilhismo em uma Argentina globalizada já não servirá mais.


