O ex-presidente argentino Carlos Menem completou ontem seu quinto dia como réu no escandaloso caso da venda ilegal de armas ao Equador e à Croácia, em um clima cada vez mais tenso e recebendo más notícias da Justiça. O juiz federal que ordenou sua prisão, Jorge Urso, além de impor restrições às visitas que o ex-mandatário recebe no local de sua detenção – uma luxuosa casa nos arredores de Buenos Aires –, iniciou investigações para determinar qual é o patrimônio real de Menem (oficialmente declarado em cerca de US$ 2 milhões).
A investigação deverá abranger todos os bens que Menem – e seus familiares diretos e indiretos, incluindo sua filha Zulemita e seus irmãos – supostamente possuem tanto na Argentina quanto no exterior, principalmente no Uruguai. Além dessa nova má notícia, Menem continua sentindo falta de apoio explícito dos principais expoentes de seu partido, o Justicialista (o peronista PJ). O fato ficou refletido na declaração de um ex-governador seu correligionário, que precisou negar enfática e publicamente que tenha ‘‘festejado’’ o encarceramento do ex-todo-poderoso governante.
Nesse clima, só um sobrinho de Menem, Adrián, que é deputado nacional, tentou dar-lhe apoio político rejeitando uma proposta do atual ministro da Economia, Domingo Cavallo – também envolvido no caso da venda ilegal de armas, embora não tenha sido convocado para interrogatório – para a formação de um governo de ‘‘união nacional’’ em torno dos partidos majoritários.

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