O ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-99) foi preso ontem por ordem do juiz federal Jorge Urso, que o considerou chefe de uma organização mafiosa que realizou o contrabando de 6.575 toneladas de armas para o Equador e Croácia entre os anos de 1991 e 1995. Com a decisão, Menem fará companhia a seu ex-cunhado, Emir Yoma; ao ex-ministro da Defesa, Ermán González, e ao ex-chefe do Exército, general Martín Balza, presos pelo mesmo caso.
Menem chegou cedo ao edifício dos Tribunais, acompanhado por sua esposa, a ex-miss Universo Cecilia Bolocco. ‘‘El Turco’’ desceu do carro afirmando que confiava na Justiça. Diante do juiz, ele não respondeu às perguntas. Somente entregou uma declaração onde se referia ao caso das armas e de sua inocência. Pouco depois, o juiz Urso informou-lhe que estava preso. Segundo seu advogado, Menem respondeu: ‘‘É uma injustiça’’. Nesse instante, a ex-miss Universo começou a chorar.
Ao redor do edifício dos Tribunais, estavam estacionados dezenas de ônibus provenientes do interior com manifestantes ‘‘menemistas’’. Os fiéis seguidores de Menem – basicamente desempregados ou aposentados – autodefiniam-se como ‘‘espontâneos’’, mas a Agência Estado apurou que em sua grande maioria eram pagos com US$ 20 em média, além do passeio em si à ‘‘La capital’’.
Enquanto isso, os manifestantes gritavam para entusiasmar o último caudilho peronista: ‘‘Fuerza Carlos!’’ (‘‘Força Carlos!’’). Para completar a paisagem, não faltaram cartazes com os dizeres: ‘‘Menem 2003’’, como desejo de um eventual retorno de ‘‘El Jefe’’ nas próximas eleições presidenciais.
Esta não é a primeira vez que Menem é preso: na época do golpe de 1976, era governador da província de La Rioja, e foi detido pelos militares, que o colocaram em um navio-prisão. Segundo um velho sindicalista colega de cela, ‘‘El Turco’’ passava o dia chorando em um canto com medo de ser torturado. Menem nega.
Um quarto de século depois, por ter mais de 70 anos de idade (em julho faz 71) Menem teve direito à prisão domiciliar. No entanto, deparou-se com um problema: a maioria das propriedades atribuídas a Menem estão, na verdade, em nome de sua ciumenta filha, Zulemita, que está brigada com ele por causa do casamento com a ex-miss Universo. O ex-presidente não teve outra saída senão apelar a seu velho amigo e ex-presidente da Casa da Moeda, Armando Gostanián, que emprestou sua mansão localizada em Don Torcuato (periferia norte).
‘‘El Turco’’ saiu dos Tribunais de helicóptero, acompanhado da mulher. Do aeroporto foi levado de automóvel à residência de Gostanián. Se Menem for condenado pelo delito de que é acusado, a pena prevista pela legislação é de cinco a dez anos.

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