Menem diz que é enviado divino
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Reuters 
Em discurso pronunciado na noite de quarta-feira a um grupo de partidários, o presidente da Argentina, Carlos Menem, foi enfático: Ninguém nos tirará deste caminho porque estamos obedecendo a uma ordem de Deus. O presidente argentino se referia às dificuldades que está enfrentando para conseguir uma terceira gestão na Casa Rosada. As eleições argentinas serão realizadas em outubro. Existem milhões de obstáculos mas aqueles que rasgam as roupas hoje pela Constituição são os mesmos que mudaram a sábia Carta Magna de 1949. Referia-se à Constituição que proíbe mais de dois mandatos consecutivos. Menem foi eleito em 1989 e reeleito em 94, mediante uma reforma constitucional.
As possibilidades de Menem governar a Argentina pela terceira vez são remotas. É que uma nova reforma está descartada, diante da rejeição que vem do Congresso e da oposição. No entanto, como todo mundo sabe que a Suprema Corte é ligada ao governo, há o temor de que esta interprete a Constituição para favorecer Menem. Analistas não descartam que o presidente pode participar das primárias de seu partido e, diante da indicação de seu nome pelos peronistas, tentar o aval da Justiça.
O presidente não tem outra saída que não a de seguir na sua estratégia para impedir que o governador de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, se consagre como candidato pelo Partido Justicialista, opina o analista político, Rosendo Fraga.
Se Duhalde vence, Menem se enfraqueceria porque seus partidários se alinhariam ao homem que poderia governar o país a partir do ano 2000. Ricardo Rouvier, outro analista, faz coro a Fraga: Diante do discurso do presidente, fica claro que a disputa é entre ele e Duhalde. Os outros são apenas peças do tabuleiro. Os analistas concordam que os planos de reeleição não contam com apoio da opinião pública.


