Menem articula nova reeleição
Menem articula nova reeleição
Agência Estado
A imaginação no poder poderia ser lema dos assessores do presidente argentino Carlos Menem. Nos últimos três meses, políticos e juristas fizeram o possível para encontrar uma maneira de driblar a Constituição, que proíbe uma segunda reeleição ao presidente do país, de forma a possibilitar que Menem pudesse ser candidato mais uma vez em 1999.
Os resultados haviam sido infrutíferos, mas agora, a solução parece ter sido encontrada: o governador da província de Jujuy, Carlos Ferraro, pediu à Justiça Federal que Menem possa ser habilitado a concorrer à presidência no ano que vem, baseado em que a Constituição se referiria à proibição de uma segunda reeleição da chapa presidencial, mas não se referia às pessoas. Ou seja, para que Menem disputasse mais uma vez a presidência, seria suficiente não concorrer com seu atual vice, Carlos Ruckauf.
A retomada da movimentação da segunda reeleição de Menem está sendo feita com mais intensidade que anteriormente: pela primeira vez, depois de vários desmentidos nos últimos meses, do lado do governo ouvem-se declarações oficiais. Existe um movimento dentro do partido Justicialista (PJ) para obter a habilitação para que o presidente possa competir por um terceiro período. O autor: o ministro Carlos Corach, articulador por excelência do governo.
Além das tentativas convencionais, o peronismo não descarta uma medida mais drástica: se a Aliança, a coalizão de partidos União Cívica Radical (Frepaso), mantiver-se contra as tentativas de disputar a segunda reeleição, o peronismo se negaria a apresentar um candidato à Presidência em 1999.
Desta forma, o Justicialismo estaria repetindo a tática utilizada pelo general Juan Domingo Perón, que de seu exílio na Espanha, em 1963, ordenou o voto em branco para sabotar as eleições que levaram Arturo Illia, o candidato da União Cívica Radical (UCR), à Presidência do país. Illia venceu com 22% dos votos, mas os votos em branco foram 25% do total, o que causaram a instabilidade do governo da UCR, derrubado pelos militares três anos depois.





