Memem se recusa a voltar para a Argentina
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Liliana Samuel 
Buenos Aires - O ex-presidente Carlos Menem (1989-99), que foge da justiça de seu país, voltou a convidar os juízes argentinos que o investigam a interrogá-lo no Chile, onde reside quase um ano depois de sua derrota nas eleições.
''Podem me interrogar aqui (em Santiago)'', disse Menem à rádio Continental de Buenos Aires. Sobre Menem, 73 anos, pesam dois pedidos de captura internacional com fins de extradição, decretados por juízes argentinos. O ex-chefe de Estado afirmou que não voltará a Buenos Aires até que mudem os juízes Norberto Oyarbide e Jorge Urso, que o acusam de corrupção.
Menem vive no Chile com sua esposa, a ex-Miss Universo chilena Cecilia Bolocco e seu pequeno filho Máximo Saúl, e vem evitando numerosas citações da justiça argentina.
Há exatamente um ano, o ex-presidente peronista neoliberal obtinha o primeiro lugar nas eleições presidenciais, com 24,4% dos votos, seguido por Kirchner (22,2%), então pouco conhecido peronista progressista.
Depois do primeiro turno de 27 de abril de 2003 e com as pesquisas apontando sua derrota no segundo turno de 18 de maio, Menem abandonou a disputa eleitoral, deixando o campo livre ao ex-candidato do ex-presidente Eduardo Duhalde, duro adversário de Menem no seio do peronismo.
Uma das primeiras medidas de Kirchner após assumir foi impulsionar a remoção de questionados juízes da Corte Suprema.
Menem se nega a viajar a Buenos Aires, onde se considera um perseguido político e diz carecer de garantias jurídicas. ''Tudo isto corresponde a um afã persecutório de um governo que tem muito pouco de democrático e muito de autoritarismo'', disse Menem segunda-feira à televisão chilena.
A disputa de Menem com os juízes alcançou nas últimas horas aspectos tragicômicos depois que o ex-presidente foi filmado dançando com uma odalisca, sem indícios de uma suposta lesão no braço direito, a qual, alegava, o impedia de viajar a Buenos Aires para ser interrogado.
O juiz federal argentino Norberto Oyarbide declarou segunda-feira em rebeldia o ex-presidente Carlos Menem (1989-99), e enviou um segundo pedido de ''detenção nacional e internacional'' contra ele, como parte de um processo por omissão maliciosa de bens.
O ex-presidente não incluiu na declaração de bens patrimoniais do imposto de renda as contas bancárias que possui na Suíça. Já havia sido expedido contra Menem um pedido de captura internacional por superfaturamento de preços na construção de duas penitenciárias na província de Buenos Aires.
Menem tem outros processos abertos por contrabando de armas à Croácia e ao Equador entre 1991 e 1995 e por abuso de autoridade, na concessão de um parque estatal de recreio em Buenos Aires.
Enfrenta também outro escândalo por corrupção depois que vários ex-funcionários de seu governo admitiram que ministros e alguns secretários e subsecretários de Estado recebiam soldos ilícitos de 50.000 dólares.


