BEIRUTE - Cerca de meio milhão de pessoas se reuniram ontem para ver e ouvir João Paulo II no último dia de sua visita ao Líbano, a primeira de um Papa ao Oriente Médio desde 1964. O Papa iniciou o dia com um trajeto de 20 km, a bordo de seu ‘‘papamóvel’’, entre Junieh, Norte de Beirute, e o centro da Capital em plena reconstrução, onde celebrou missa ao ar livre.
Foi a maior concentração de cristãos desde o final da guerra civil de 1975-90, da qual foram os grandes perdedores, e o Papa quis mostrar-se tranquilizador com eles, embora sua mensagem se dirigisse a todo o País.
O Sumo Pontífice celebrou a missa em um grande estrado branco em forma de cedro, símbolo do Líbano, montado na Praça dos Mártires, grande esplanada perto do porto de Beirute. O altar foi construído com pedras procedentes das 17 civilizações que fizeram a história da cidade. O cardeal Nasrallah Sfeir, patriarca da Igreja Católica maronita, afirmou que o Papa havia vindo para ‘‘fechar as feridas’’.
Na celebração, o coro cantou nos cinco idiomas falados na liturgia do Oriente: árabe, sírio, caldeu, latim e grego. Sábado, o Papa viveu outro grande momento de sua visita durante um ato noturno que contou com a participação de 15 mil jovens cristãos na Basílica de Nossa Senhora de Harissa.
Na ocasião, instou a juventude a ‘‘derrubar os muros’’ do ódio e construir o Líbano do amanhã, e firmou uma Exortação Apostólica publicada ontem. Este documento se define como ‘‘uma nova esperança para o Líbano’’.
‘‘Estou consciente das maiores dificuldades atuais: a ocupação ameaçadora do Sul do Líbano, a conjuntura econômica, a presença de forças armadas não-libanesas, a persistência do problema dos desabrigados, o perigo extremista e a impressão para muitos de que frustraram seus direitos’’, afirmou o Papa.
A Exortação insiste na necessidade de um ‘‘verdadeiro diálogo entre crentes das grandes religiões monoteístas’’, e insta os libaneses a acabar ‘‘com suas dissensões e inimizades’’. João Paulo II voltou a Roma ontem à noite.

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