Medvedev anuncia modernização de arsenal
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terça-feira, 17 de março de 2009
Folhapress 
Genebra- O presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou ontem o rearmamento em grande escala do poderio militar do país e a modernização de sua capacidade nuclear. Para Medvedev há sério potencial de conflito no mundo, e a expansão da Otan, aliança militar liderada pelos EUA, é uma das principais ameaças à segurança da Rússia.
Dissipando as expectativas de quem previa um gesto de conciliação, a duas semanas do primeiro encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama, Medvedev fez mais um discurso de confronto com o Ocidente. Mesmo com a economia em declínio, ele disse que o país tem capacidade de continuar investindo em segurança.
Qualquer análise da situação política e militar mundial mostra sério potencial de conflito em certas regiões. Há risco de crises locais e terrorismo internacional, disse ele a uma plateia de generais em Moscou.
As tentativas de expandir a Otan em nossas fronteiras continuam. Tudo isso requer uma modernização qualitativa de nossas Forças Armadas. Medvedev não disse qual será o aumento do orçamento militar.
Para analistas, o discurso teve dois alvos. No plano externo, sinalizar aos EUA que o país vai ao encontro de Obama em posição de força. No doméstico, responder à inquietação no Exército ante a redução de tropas.
Apesar de ter manifestado otimismo nas chances de melhorar as relações com os EUA com a mudança na Casa Branca, Medvedev nunca deixou de falar grosso. Logo no dia seguinte à vitória do democrata, o presidente russo destoou da Obamania mundial e fez ataques frontais aos EUA, ameaçando instalar mísseis perto da Polônia, membro da Otan.
Há duas semanas, a secretária de Estado dos EUA teve seu primeiro encontro com o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, em Genebra. Os dois países se comprometeram a abrir uma nova página em suas relações, que chegaram ao pior momento desde o fim da Guerra Fria durante o governo Bush.
Mas a mensagem ontem foi outra. No mesmo encontro, o ministro da Defesa, Anatoli Serdyukov, alertou os generais que os EUA estão tentando controlar os recursos de gás e petróleo de ex-repúblicas soviéticas. A possibilidade de conflitos armados é alta, disse.
A situação militar e política tem se caracterizado pelo desejo dos EUA de obter liderança global e expandir sua influência e a de seus aliados nas regiões adjacentes à Rússia, afirmou.


