France Presse
De Oslo
O Prêmio Nobel da Paz de 1999 foi concedido esta sexta-feira, em Oslo, à organização de origem francesa Médicos Sem Fronteiras ‘‘por sua ajuda humanitária em vários continentes’’.
O comitê norueguês recompensou o princípio básico da organização criada em dezembro de 1971 em Paris, segundo o qual ‘‘todas as vítimas de desastre de origem humana ou natural têm direito a uma assistência profissional prestada com rapidez e com a maior eficiência possível’’.
‘‘As fronteiras nacionais e as circunstâncias ou afinidades políticas não devem ter nenhuma influência sobre o caso de quem deve receber a ajuda humanitária’’, segundo a organização que foi premiada.
Em sua sede em Paris, membros da organização Médicos Sem Fronteiras expressaram sua alegria. ‘‘Tantos esforços recompensados com algo tão bom é genial’’, exclamou Cecile Guthmann, assessora de imprensa da organização humanitária, enquanto seus colegas expressavam sua alegria de maneira ruidosa nas instalações de MSF.
Bernard Kouchner, co-fundador da MSF, declarou-se ‘‘muito emocionado’’ com a atribuição Nobel da Paz. Ex-ministro francês, Bernard Kouchner é hoje administrador civil da ONU em Kosovo.
‘‘Evidentemente, isto me comove profundamente. Penso também nos que morreram sem socorro, nos milhares que morrem esperando que alguém bata a sua porta’’, declarou à emissora de rádio estatal francesa France Info.
Para o presidente da MSF, Philippe Biberson, receber o Nobel da Paz ‘‘não é um orgulho e sim um desafio’’, conforme declarou à AFP.
‘‘Meu primeiro pensamento vai para todos os médicos sem fronteira que estão pelo mundo, todos os voluntários, todas as pessoas que nos ajudam em campo, isso (o prêmio) deve aquecer seus corações’’, acrescentou Biberson.
Nascida do grito de rebelião de um grupo de médicos franceses em dezembro de 1971, a MSF já atuou em mais de 80 países. A MSF está destinada a prestar ajuda médica a vítimas de crises ou desastres, e também testemunhar violações flagrantes dos direitos humanos.
Antes de seu nascimento oficial, em 21 de dezembro de 1971, a MSF começou atuando em Biafra, onde um milhão de pessoas morreram em três anos (1967-1970). Ao mesmo tempo em que se especializava em medicina de guerra, uma equipe de médicos franceses fazia denúncia sobre o genocídio de um povo abandonado. Esses homens viriam a auxiliar, em seguida, em outubro de 1970, nas inundações de Bangladesh.
Nascido de dois dramas humanos e de uma utopia humanitária, MSF se impôs como a primeira associação internacional de ajuda médica, com mais de 10 mil voluntários, médicos, paramédicos, especialistas em logística e administradores.
Suas primeiras ações oficiais foram registradas na Nicarágua afetada por um terremoto, em 1972, em Honduras, depois da passagem de um furacão, em 1974, depois nos campos de refugiados da Tailândia, em 1975, e na guerra do Líbano, em 1976.Comitê recompensa princípio básico: vítimas de desastres de origem humana ou natural têm direito a assistência
France PresseAjudaMembro da organização Médicos sem Fronteiras atende refugiados na Macedônia durante a crise de KosovoFrance PressePhilippe Biberson (e), presidente internacional da MSF, disse que receber o Nobel não é orgulho e sim um desafio. Ao seu lado o presidente da organização na França, James Orbinski

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