O conflito entre as forças israelenses e os extremistas do Hamas já fez milhares de vítimas. E, aos olhos do mundo não há, em curto ou médio prazo uma previsão para que os ataques sejam encerrados.
"Moro há dois anos em Israel e, sem dúvida, este é o momento mais tenso que já vivi em todo este tempo." A declaração é do neurologista curitibano Salo Haratz, que trabalha no Hospital Sheba - Tel Hashomer, maior centro hospitalar do país. A estrutura funciona na cidade de Ramat Gan, localizada na grande Tel Aviv, e atende pacientes israelenses e palestinos, muitos atingidos pelo conflito.
A ofensiva foi desencadeada após o sequestro e morte, em junho, de três jovens judeus na Cisjordânia (um ataque que Israel atribuiu ao Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza), seguido da morte de um jovem palestino queimado em Jerusalém por extremistas judeus. Desde então, tiveram início os lançamentos de foguetes do Hamas e bombardeios de Israel.
O médico conta que nunca teve uma experiência como esta, de trabalhar no meio de uma guerra e que já viu imagens chocantes. "Vários feridos e muitos soldados foram trazidos de helicóptero para o hospital, e eles vinham direto do campo de batalha, jovens de 20 e poucos anos, muitos com sequelas graves", afirmou. E, ao mesmo tempo em que tem contato com as malezas da guerra, Haratz destaca situações que provam que acima do conflito estão os trabalhos humanitários.
Na semana passada, durante mais um dia de trabalho, o médico atendeu uma paciente palestina de 40 anos que sofreu um acidente vascular cerebral. "É um centro de excelência médica e em Gaza há uma série de deficiências estruturais para um atendimento adequado. Com o conflito, a situação se tornou ainda mais problemática. Então a paciente foi atendida como qualquer outra. Isso mostra que o terrorismo, por mais que persista, não vence os valores e princípios", celebrou o médico.

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