Médico suspeito de trezentas mortes
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de janeiro de 2001
Associated Press De Londres 
Um médico condenado pelo assassinato de 15 de suas pacientes pode ser o responsável pela morte de outras centenas de pessoas, revelou ontem um levantamento estatístico de suas atividades médicas. Um exame do registros das atividades clínicas do doutor Harold Shipman demonstrou que ocorreram outras 297 mortes durante o período de 24 anos em que ele exerceu a prática médica na mesma região. Shipman, clínico geral em Hyde, perto de Manchester, foi condenado em fevereiro por ter assassinado 15 mulheres idosas com injeções de heroína. Ele recebeu 15 penas de prisão perpétua e os promotores descartaram um novo julgamento. A maior parte das vítimas era constituída por mulheres acima de 75 anos , de acordo com a auditoria, que examinou tendências e padrões das 521 mortes certificadas por Shipman. A morte das pacientes de Shipman ocorria à tarde, e quando ele estava sozinho com elas, diz o estudo.
Jane Ashton Hibbert, cuja avó Hilda Hibbert morreu em janeiro de 1996 enquanto estava sob os cuidados de Shipman, considerou o estudo devastador. Muitas dessas famílias estão totalmente despreparadas, não sabem, não têm como saber e nunca saberão (da verdade), e esta é a parte difícil do caso, disse Jane Hibbert.
Ela acrescentou que se ele admitisse sua culpa seria bom para um grande número de famílias. Os 15 assassinatos pelos quais Shipman foi condenado já o colocam entre os mais prolíficos serial killers da história britânica. Shipman, que sempre negou as acusações, foi acusado durante o processo de matar porque gostava de exercer o principal poder de controle sobre a vida e a morte. Até sua prisão em 1998, Shipman exercia uma atividade intensa em Hyde, uma pequena cidade no noroeste da Inglaterra.
Naquele ano, ele levantou suspeitas quando sua última vítima, Kathleen Grundy, de 81 anos, foi encontrada morta em sua casa. No mesmo dia, seu testamento foi encaminhado a uma firma de advocacia local; nele, Grundy deixava todos os seus bens para Shipman, em reconhecimento pelo seu trabalho na comunidade. No julgamento, Shipman também foi condenado por forjar o testamento.
Baker, que conduziu a pesquisa, disse que suas novas descobertas podem acabar com a aflição das famílias das vítimas de Shipman, mas eu espero que a revelação dos fatos possa ajudar a colocar um ponto final no que aconteceu.
A polícia disse ter suficientes evidências para processar Shipman por outras 23 mortes. Contudo, o Serviço de Promotoria Real decidiu-se no ano passado contra novos julgamentos, por chegar à conclusão de que isto não seria do interesse público.


