KIGALI - O batalhão de soldados oferecido pelo Brasil ficou reduzido a um único brasileiro em Ruanda. Só ele, porém, está comandando 40 médicos e enfermeiros internacionais numa batalha contra epidemias que matam 10 em cada 10 mil refugiados, por dia. Mas o médico gaúcho Carlos Wandscheer não é um enviado do governo brasileiro. Desde 1981, ele enfrenta crises mundiais pelo grupo Médecins du Monde, financiado pela União Européia e alguns filantropos.
Até no Brasil já trabalhou, pelo Médicos do Mundo, o dr. Wandscheer, de 48 anos. E por três vezes. Em 1983 ele estava embrenhado em Roraima para vacinar índios ianomamis. Em 1987, em Fortaleza, foi implantar o Posto de Saúde Pirambu. E em 1988, no Xingu, formou agentes de saúde.
O Médecins du Monde é uma cisão política do mais popular Médecins sans Frontieres, ou Médicos sem Fronteiras (MSF). O grupo se formou para socorrer o ‘‘boat people’’ vietnamita, refugiados que se lançavam ao mar em 1980. ‘‘Alguns médicos queriam socorrê-los, e o MSF, não; então, criamos um novo grupo’’, explica o dr. Wandscheer, gaúcho de Cruz Alta.
É do Rio Grande do Sul que ele se lembra para dar a dimensão do problema em Ruanda. ‘‘Imagine se fôssemos 30 milhões de gaúchos’’, diz. Se fossem, os gaúchos teriam a mesma densidade populacional dos ruandenses, a maior da África.

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