Jerusalém
O mediador norte-americano ao Oriente Médio, Dennis Ross, iniciou ontem nova etapa de negociações entre palestinos e israelenses, em mais uma tentativa do governo norte-americano de retirar do estancamento o processo de paz no Oriente Médio. Ross encontrou-se durante a tarde com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em meio à crise política causada peka renúncia no domingo do chanceler Davi Levy.
O encontro de Ross com o presidente da Autoridade Plaestina, Yasser Arafat, era esperado para o início da noite. Anteontem Arafat havia advertido que a crise israelense não é assunto palestino, mas que Bibi poderia eventualmente sacrificar o processo de paz para satisfazer os radicais israelenses, o que o deixaria sob risco de perder a maioria simples no Knesset.
Netanyahu, ainda sob os auspícios da aprovação do orçamento anteontem pelo parlamento, afirmou que manterá o processo de paz, mantendo as exigências feitas anteriormente à OLP, de coibir o terrorismo. O primeiro-ministro israelense deve encontrar-se com Bill Clinton no dia 20 de janeiro em Washington, dois dias antes da cúpula na Casa Branca que incluirá Yasser Arafat.
Fontes políticas disseram que Netanyahu apresentaria a Ross um documento detalhando o que, segundo ele, seriam as violações dos acordos de paz pelos palestinos. O primeiro-ministro e seu gabinete condicionam toda decisão sobre a retirada da Cisjordânia a que os palestinos cumpram primeiro sua parte no acordo, mas os observadores acreditam que essa exigência é apenas mais uma manobra destinada a impedir a implementação da retirada.
A agenda da visita de Ross inclui também a conclusão de um memorando de cooperação em matérias de segurança e questões ainda não resolvidas do acordo interino, como a liberdade de trânsito para os palestinos entre a Cisjordânia e Gaza, e a construção de um porto marítimo e aéreo em Gaza.
Fontes palestinas dizem que Arafat pedirá que Washington aumente sua pressão para que Israel cumpra seus compromissos, exijam uma retirada de 35 por cento das tropas na Cisjordânia, mas informações da imprensa afirmam que Israel e Estados Unidos já estariam de acordo em limitar a retirada a menos de 15 por cento das tropas.
Analistas políticos acham que o governo de Netanyahu terá difíceis obstáculos pela frente. O mais importante deles é a retirada parcial de tropas de áreas rurais da Cisjordânia. Nesse âmbito, o primeiro-ministro está diante de um dilema: se aprova um cronograma de retirada (exigido pelo presidente Bill Clinton, com quem Netanyahu reúne-se no dia 20) irrita os ‘‘falcões’’ da extrema direita religiosa; se veta a retirada perde o apoio dos ministros moderados. Nos dois casos, corre o risco perder a maioria simples no Knesset.

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