Ruslan Auchev, ex-presidente inguche que serviu de mediador durante a tomada de reféns de Beslan, Ossétia do Norte, afirmou que foram os disparos de civis armados que provocaram o assalto à escola por parte das forças de ordem russas, num momento em que as negociações estavam em curso.
Em entrevista esta segunda-feira ao jornal Novaya Gazeta, Auchev também afirmou que um dia inteiro foi perdido enquanto a célula de crise decidia se devia negociar ou não com o comando pró-checheno. ''Quando se ouviu a explosão e as crianças começaram a escapar, ligamos (para o comando) e pedimos que cessassem os disparos. Eles responderam: 'Nós paramos de disparar, são vocês é que estão disparando'', contou Auchev.
''Ordenamos que os disparos cessassem, mas havia uma terceira força, as 'milícias populares' que decidiram libertar os reféns'', contou o general Auchev.
Auchev referia-se a grupos informais de civis armados que atuam nesta república desde 1992, quando a Ossétia do Norte e a vizinha Inguchétia se enfrentaram numa guerra. Segundo Auchev, foi nesse momento que os sequestradores ativaram mais explosivos, achando que havia sido iniciado o assalto.
''Gritaram por telefone: 'É o assalto'. Nós respondemos: 'Não, a Alfa (as tropas de elite) não se mexeu. Então ouvimos eles dizendo: 'Estão disparando contra nós, é o assalto, vamos explodir tudo'''. ''Tudo fracassou por causa dos disparos desses civis estúpidos'', lamentou-se.
Ruslan Auchev foi o único dos negociadores a entrar na escola, e obteve no dia seguinte à tomada de mais de 1.000 reféns a libertação de 26 mulheres e crianças.

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