McCain vence em Michigan e no Arizona
Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
O senador John McCain ressuscitou sua campanha à Casa Branca na terça-feira impondo duas novas derrotas ao governador do Texas, George W. Bush. O candidato preferido pela maioria esmagadora dos governadores, senadores, deputados republicanos, bem como por dois terços dos eleitores que se identificam com o partido conservador, Bush, que esperava livrar-se esta semana de McCain depois de tê-lo derrotado na Carolina do Sul, no último sábado, perdeu para o rival por uma margem de 50% a 43% em Michigan, o primeiro grande estado industrial a realizar primárias.
A exemplo do que já fizera em New Hamsphire, onde emergiu no início do mês como o fenômeno eleitoral da disputa presidencial empunhando uma bandeira reformista, McCain bateu Bush graças ao apoio maciço de eleitores independentes e mesmo de democratas, que puderam no sistema aberto de prévia do Michigan e representaram 50% do número recorde de pessoas que compareceu para votar.
O resultado colocou o senador à frente na briga pelos delegados que escolherão o candidato na convenção partidária da Filadélfia, no início de agosto. McCain, que emergiu como fenômeno eleitoral ao vencer as primárias inaugurais de New Hampshire, no início do mês, tem agora 90 dos 1034 delegados necessários para assegurar a candidatura à presidência, contra 67 de Bush.
Embora esses números ainda não sejam significativos e a maioria dos analistas continue a considerar Bush como o favorito para receber a indicação partidária, os resultados de Arizona e Michigan comprovaram a ressonância da pregação antiestablishment de McCain, em favor de uma reforma do corrompido sistema de financiamento de eleições dos Estados Unidos, deixaram o governador do Texas numa posição vulnerável.
Em lugar de consolidar rapidamente sua posição como candidato e começar a caminhar para o centro, que é onde se decidem as eleições à Casa Branca, Bush terá que continuar a contrastar suas posições com as de McCain pela direita, apresentando-se como o verdadeiro líder conservador em questões sensíveis como o aborto. Isso não o ajudará nas eleições de novembro, pois dois terços dos americanos são pela manutenção do aborto legalizado. Por essa razão, os analistas acreditam que o principal beneficiário da permanência de McCain no páreo republicano é o vice-presidente Albert Gore, o favorito disparado para disputar a sucessão de Bill Clinton pelos democratas.
O governador do Texas terá também que gastar mais alguns milhões de seu fundo de campanha para conter McCain nas primárias de Virgínia e Washington e no caucus de Dakota do Sul, na próxima semana, e em mais de uma dúzia de estados que se pronunciarão no dia 7 de março. Isso é complicado porque Bush já gastou a maior parte dos US$ 70 milhões que levantou e, se não começar a demonstrar logo capacidade para ganhar primárias fora do Sul do país.
Não tenham medo desta campanha, meus companheiros republicanos, juntem-se a ela, pediu McCain na noite de terça-feira, festejando sua dupla vitória. Estamos criando uma nova maioria, a maioria de McCain, e somos o pior pesadelo para (o vice presidente) Al Gore, acrescentou ele.
A essa altura, o que o Partido Republicano quer é um tema controverso. A máquina do partido quer que Bush como candidato e já investiu demasiadamente em seu nome, em termos financeiros e políticos, para voltar atrás. Além disso, os líderes republicanos não toleram McCain, por causa das posições independentes que assumiu ao longo de seus 17 anos no Congresso. É quase que inexplicável que John McCain tenha ganho em Michigan depois da devastadora derrota que sofreu na Carolina do Sul, disse a estrategista republicana Linda DiVall. Agora ele terá que fazer uma forte virada à direita para ter chances nos estados que têm primárias fechadas, acrescentou.
Nesse tipo de primárias, realizadas em estados como Connecticut, Maine, Nova York e Ohio, só participam os eleitores registrados como republicanos. As primárias democratas são todas fechadas. (Nos EUA, no momento de fazer o registro eleitoral a pessoa precisa declarar-se por um dos dois grandes partidos ou, se preferir, identificar-se como independente.)
A princípio, Bush deve levar essas primárias. Mas, se não se recuperar e começar a empolgar os eleitores logo, o líder texano pode-se ver numa situação politicamente embaraçosa na Califórnia, que tem o maior colégio eleitoral do país e vota no dia 7 de março. Os republicanos usam um sistema misto na Califórnia. Elas são abertas à participação de todos os eleitores, independentemente de sua preferência política. Mas, no cálculo de delegados à convenção partidária, valem apenas os votos dos eleitores registrados como republicanos.
Com os independentes apoiando maciçamente McCain, há uma forte possibilidade de Bush ganhar a disputa que importa, pelos delegados à convenção, e perder a eleição popular na Califórnia. Um desfecho desse tipo tornaria ainda mais evidente sua vulnerabilidade como candidato.
Pesquisas divulgadas ontem colocam o senador de Arizona disparado à frente de Bush em Massachusetts, um dos estados que farão primárias no dia 7. McCain está à frente de Bush também em Rhode Island.





