McCain ameaça a candidatura de Bush
Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
Com sua candidatura à Casa Branca ameaçada pelo motim eleitoral que o senador John McCain armou no Partido Republicano, o governador do Texas, George Bush, ganhou facilmente as primárias em Delaware, na terça-feira, com 51% dos votos. A outra boa notícia para Bush é que Steve Forbes, o herdeiro de um império editorial, que em 1996 venceu as primárias republicanas no pequeno Estado da Nova Inglaterra, chegou desta vez em terceiro lugar e decidiu abandonar sua segunda campanha à presidência, depois de investir cerca de US$ 60 milhões de sua fortuna pessoal avaliada em meio bilhão de dólares.
Embora Forbes não tenha endossado nenhum candidato, sua saída poderá transferir ao governador do Texas alguns votos da direita do partido. O outro aspirante republicano que continua no páreo, Alan Keyes, não é considerado um contendor e sua desistência é apenas uma questão de tempo.
Para frustração de Bush, no entanto, o feito político mais notável em Delaware não foi sua vitória, até porque estavam em jogo apenas 12 dos 2.066 delegados que decidirão quem será o candidato republicano na convenção nacional em Filadélfia, no início de agosto. Mais uma vez, foi o rebelde McCain quem surpreendeu. Uma semana depois de ter imposto uma humilhante derrota a Bush na prévia de New Hampshire e transformado numa disputa imprevisível o que prometia ser a coroação do governador do Texas como líder dos conservadores, o senador de Arizona recebeu 25% dos votos sem ter feito campanha ou sequer ter colocado os pés em Delaware.
Esse resultado é mais um sinal de que, embalado pelo impulso que recebeu dos eleitores em New Hampshire, McCain firmou-se como um candidato nacional com chances reais de disputar a presidência no dia 7 de novembro. Há outros para desespero dos líderes que controlam a máquina republicana, apóiam Bush e odeiam o senador. Depois de ter estado mais de 20 pontos atrás Bush nas pesquisas na Carolina do Sul, onde os republicanos farão a próxima prévia, no dia 19, McCain aparece agora empatado com o governador do Texas.
O mesmo acontece em Michigan, onde eles medirão forças no dia 22. A última sondagem colocou McCain alguns pontos à frente de Bush num estado onde as regras facilita a participação dos eleitores independentes, que preferem o senador. No mesmo dia da prévia de Michigan, McCain deve bater Bush facilmente nas primárias em seu estado.
As pesquisas nacionais confirmam o crescimento nacional do fenômeno McCain. Duas delas indicaram, esta semana, que se as eleições fossem hoje o senador bateria o vice-presidente Albert Gore, o candidato mais provável do Partido Democrata. Já Bush seria derrotado por Gore, de acordo com as mesmas sondagens.
Se Bush não parar McCain na Carolina do Sul, sua candidatura começará a desmoronar e os líderes do Partido Republicano serão forçados a abandoná-lo, previu William Kristol, ex-chefe de gabinete do vice-presidente Dan Quayle e atual editor do semanário conservador Weekly Standard. Não basta ter dinheiro, você precisa apresentar idéias que vão além de redução de impostos e começar a ganhar eleições primárias em estados relevantes para ser o candidato do partido, acrescentou ele. Neste momento, é McCain quem dá o tom à disputa.
A mudança da estratégia e do estilo da campanha de Bush, depois do desastre de New Hampshire, é sintomático na nova dinâmica que a ascensão de McCain impôs à briga entre os conservadores pelo direito de disputar a Casa Branca. Atordoado e na defensiva, Bush deixou de lado seu compromisso público de não fazer ataques pessoais durante a campanha e investiu contra a integridade de McCain. A grande desvantagem do senador frente a Bush continua a ser o dinheiro. O governador do Texas já levantou perto de US$ 70 milhões em contribuições, comparados com os US$ 16 milhões de McCain.
Mas, já tendo subvertido os planos da máquina do partido, o senador de Arizona está reescrevendo agora o manual sobre levantamento de fundos em campanhas eleitorais, usando a Internet como instrumento de arrecadação. Desde sua vitória em New Hampshire, McCain agregou novos servidores para facilitar o acesso ao site de sua campanha e arrecadou mais de US$ 2,2 milhões em novas contribuições. A campanha de McCain fez um trabalho brilhante em capitalizar a vitória em New Hampshire, disse ao Washington Post Michael Cornfield, um cientista político da Universidade George Washington que estuda o uso de novos meios de comunicação na política. Isso mostra que a Internet permite aos políticos beneficiarem-se de uma nova forma do impulso de uma vitória nas urnas.
Com a ajuda da Internet McCain atraiu mais de 25 mil novos voluntários autonomeados os insurgentes para sua campanha desde sua vitória em New Hampshire. Igualmente importante, o senador está recebendo contribuições em dinheiro que se tornam imediatamente disponíveis, são maiores do que as que chegam em cheques, pelo correio, custam bem menos do que o método tradicional de arrecadação via mala direta e correio e são feitas por eleitores mais jovens e com maior capacidade potencial de mobilização política.Bush ganha primárias de Delaware, mas seu rival republicano, John McCain, obtém 25% dos votos sem fazer campanha
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