France Presse
O novo governo sul-africano chefiado pelo presidente eleito Thabo Mbeki, disse que quer fazer da África do Sul um dos maiores sócios comerciais dos EUA no continente africano, após a vitória esmagadora conquistada nas eleições gerais da véspera.
Apesar de não terem sido anunciados os resultados definitivos das eleições multirraciais na África do Sul, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, afirmou que ficou ‘‘claro que o povo sul-africano votou em massa e que o pleito ocorreu de modo pacífico e ordenado’’.
‘‘Tudo indica que estas eleições se converterão em outro passo histórico e exitoso para a consolidação da democracia na África do Sul, acrescentou Rubin. Seja qual for o resultado oficial, os Estados Unidos e a África do Sul ‘‘seguirão reforçando suas estreitas relações bilaterais’’, explicou o porta-voz.
Thabo Mbeki é visto pelos comentaristas políticos americanos com bons olhos. Considerado um ‘‘rigoroso administrador’’ ele representa para os Estados Unidos uma nova geração de chefes sul-africanos, percebido como alguém com mais cancha de realidade internacional que seus predecessores, que se alçaram ao governo principalmente pela luta contra o apartheid.
Thabo Mbeki, o candidato apresentado por Nelson Mandela, estava seguro ontem de ser o próximo presidente sul-africano, depois que seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA, no poder), conseguiu importante vitória nas segundas eleições multirraciais.
O CNA conseguiu 64,9% dos votos, um resultado melhor do que nas eleições de 1994 (62,6%), segundo os resultados parciais da Comissão Eleitoral Independente (CEI), computados 55,8% dos votos.
Sua vitória é de tal magnitude que a televisão nacional, a SABC, anunciou antecipadamente, baseando-se em projeções estatísticas, que o partido no poder terá uma maioria parlamentar de dois terços, que lhe permitirá, se assim o desejar, modificar a Constituição.
A grande surpresa desta votação foi que o Novo Partido Nacional (NPN, no poder antes de 1994), perdeu seu lugar de oposição oficial e caiu a 7,77%, contra 20,4% em 1994.
Os liberais do Partido Democrático (PD) tiveram os melhores resultados dos 15 partidos da oposição, com 10,5% dos votos, registrando um grande crescimento desde 1994 (1,7%).
O partido zulu Inkatha (IFP) estava imediatamente depois, com 8,3%, uma queda em relação a 1994 (10,5%), mas melhor do que as pesquisas tinham previsto.
Os resultados das eleições proporcionais integrais determinarão a distribuição das bancadas na Assembléia Nacional, antes que os deputados elejam o novo presidente do país, no dia 14. O chefe do CNA e atual vice-presidente, Thabo Mbeki, de 56 anos, já tem a presidência assegurada.
As eleições de anteontem na África do Sul marcam a despedida de Nelson Mandela, o grande herói da luta da maioria negra e das forças democráticas sul-africanas contra o regime do apartheid (separação de negros e brancos). Militante do CNA, ficou preso mais de duas décadas para sair da prisão e liderar a redemocratização do país, tornando-se um dos maiores estadistas do mundo no final do milênio.

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