May sinaliza avanço no Brexit, mas quer prazo para união aduaneira
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quarta-feira, 07 de novembro de 2018
Lucas Neves <br> Folhapress 
Paris, França - A primeira-ministra britânica, Theresa May, indicou nesta terça-feira (6) que está a um passo de destravar a negociação dos termos do Brexit, a saída do Reino Unido da UE (União Europeia), mas que seu governo não aceitará que eventuais condições excepcionais acordadas agora perdurem por tempo indeterminado.

O grande obstáculo ao avanço das conversas continua sendo o "backstop", a garantia que a Irlanda (integrante da UE) exige de que, caso não haja acordo entre as partes, não volte a existir a chamada "fronteira dura" - na prática, controle de mercadorias e pessoas - com a Irlanda do Norte (que faz parte do Reino Unido e, portanto, está de saída do bloco europeu).
O "divórcio" acontece em 29 de março de 2019 e será seguido por um período de transição que vai até o fim de 2020. A preocupação de Dublin repousa sobre o que acontecerá após essa segunda data. O temor é o de que voltem à tona na ilha as tensões nacionalistas (relativas ao status do Norte) apaziguadas pela assinatura de um acordo de paz em 1998.
Para evitar a "fronteira dura", a UE sugeriu que a Irlanda do Norte permanecesse no espaço comum europeu enquanto outra solução não fosse encontrada. Mas isso significaria implantar uma checagem de bens entre a ilha da Grã-Bretanha e Belfast, o que May julga inaceitável por cindir o Reino Unido.
A primeira-ministra sugeriu então que tanto a Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) quanto a Irlanda do Norte firmassem uma união aduaneira com a Europa para tornar obsoletos os "check points" de produtos. A UE inicialmente rechaçou a proposta, mas agora estaria disposta a endossá-la, segundo a imprensa inglesa, já que o Dia D do Brexit acontece daqui a menos de seis meses e é preciso dar tempo hábil para que os parlamentos britânico e europeu apreciem toda a operação de desligamento.
Na reunião ministerial de terça, segundo o porta-voz de May, discutiu-se a criação de um mecanismo para não manter o Reino Unido "preso" indefinidamente à hipotética união aduaneira com o bloco europeu. A Irlanda já sinalizou que só considerará válido qualquer dispositivo de revisão periódica do "backstop" se ele não deixar brechas para um abandono unilateral da união aduaneira pelos britânicos - não custa lembrar, foi para ficarem livres da legislação europeia que eles votaram a favor do Brexit.
Enquanto isso, ganha fôlego a ala que ainda pretende bloquear a saída britânica e promover uma nova consulta popular - cenário reiteradamente descartado por membros do governo May ao longo dos últimos meses e de fato altamente improvável.


