May assina acordo para formar governo
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segunda-feira, 26 de junho de 2017
Diogo Bercito<br>Folhapress 

Madri, Espanha - A primeira-ministra britânica, Theresa May, chegou na segunda-feira (26) a um acordo com seu aliado norte-irlandês DUP (Partido Unionista Democrático) para o apoio de seu novo governo. O DUP concordou em apoiar o governo de minoria de May em troca de um repasse extra mais de R$ 4,2 bilhões à Irlanda do Norte nestes próximos dois anos. Havia uma verba já garantida de metade desse valor.
O dinheiro será investido em hospitais, escolas e estradas, segundo o partido norte-irlandês. A contrapartida imediata do DUP será votar a favor das propostas feitas por May na semana passada para o ano legislativo, permitindo o início do governo. Havia bastante expectativa quanto à finalização do acordo. Sem ele, May teria que liderar o Reino Unido sem a maioria legislativa, cenário considerado instável.
O Partido Conservador, da primeira-ministra, sofreu um importante revés nas eleições gerais de 8 de junho, recebendo apenas 318 cadeiras em uma casa de 650 - eles tinham 330 antes. Seriam necessárias 326 para poder governar sozinhos. A conservadora terá, agora, o apoio dos dez legisladores do DUP.
May anunciou o acordo afirmando que ambos os lados "compartilham de muitos valores ao desejar a prosperidade em todo o Reino Unido". "Compartilhamos o desejo de garantir um governo forte, capaz de seguir com seu programa e com questões como as negociações do Brexit e da segurança."
O Brexit, nome dado à saída britânica da União Europeia, é o principal item na agenda legislativa do Partido Conservador, a ser votada nesta semana. O partido de May promete um "Brexit duro" - retirar o Reino Unido também do mercado único, que hoje reúne 500 milhões de consumidores.
Há bastante resistência interna a esse plano, e ao perder sua maioria nas eleições antecipadas de junho - quando estavam previstas para 2020 - May teve sua posição bastante fragilizada. Entre seus críticos está o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que tem pedido publicamente que May abandone os planos do "Brexit duro".
Uma das questões mais complicadas das negociações, e a ser decidida no início das conversas, são os direitos dos 3 milhões de europeus que residem hoje no Reino Unido. Há também 1,2 milhão de britânicos na UE.


