Bagdá -O comitê de ulemás muçulmanos (sunita) pediu ontem, em comunicado, que os maus-tratos aplicados aos prisioneiros iraquianos pelas forças americanas sejam considerados ''crime de guerra''. ''Pedimos às organizações internacionais de defesa dos direitos humanos que façam uma investigação independente e imparcial sobre as condições da prisão dos iraquianos em todo o Iraque e que considerem estas violações crimes de guerra'', destacou o comitê.
Denunciando ''atos bárbaros desumanos'', que atentam contra a liberdade e a dignidade do povo iraquiano, a instância religiosa da comunidade xiita destacou que ''estes comportamentos não são atos de alguns americanos e não são limitados a Abu Gharib'', a grande prisão a oeste de Bagdá.
''Maus-tratos também são cometidos em outros centros de detenção em Mosul, Tikrit (norte) e Habbaniya (oeste)'', denuncia o texto.
O comitê diz dispor de testemunhos, segundo os quais ''estes maus-tratos constituem uma das etapas do interrogatório dos detidos''.
O comitê dos ulemás destacou ainda que o presidente americano, George W. Bush, assim como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ''não podiam não estar a par de tais atos''.
''Ao invés de se assombrar, os dirigentes ocidentais deveriam dar ordem a seus soldados para libertar os homens e mulheres detidos. Saibam que a História não esquecerá estes crimes'', acrescentou o comitê, que recentemente teve um papel de grande importância na libertação de vários reféns ocidentais no Iraque.

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