Devido ao mau tempo, mergulhadores não conseguiram entrar no Kursk ontem, um dia depois que oficiais da Marinha revelaram evidências mostrando que mais de 20 marinheiros sobreviveram às explosões iniciais que afundaram o submarino nuclear.
Enquanto isso, crescia a revolta contra o governo russo por sua lenta e confusa resposta ao desastre de 12 de agosto. ‘‘A tripulação do Kursk foi sepultada viva’’, afirmou Veronika Marchenko, líder da associação antimilitarista Direitos de Mãe.
Ventos de até 25 metros por segundo e fortes ondas no mar de Barents impediram ontem que mergulhadores chegassem até os destroços do submarino.
Na quarta-feira, mergulhadores recuperaram quatro corpos dos compartimentos oito e nove do Kursk. Uma mensagem encontrada no bolso de um marinheiro, o tenente Dmitry Kolesnikov indicou que 23 marinheiros permaneceram com vida por pelo menos várias horas depois das explosões que afundaram o submarino.
A maioria dos 118 tripulantes do Kursk aparentemente morreu imediatamente nas explosões que lançaram gigantescas bolas de fogo e ondas de choque por todos os cinco primeiros compartimentos do Kursk, ou minutos depois com a água entrando no submarino pousado no fundo do mar.
O porta-voz da Frota do Norte disse ontem que os quatro corpos resgatados apresentavam queimaduras e traumatismo, mas não quis dar maiores detalhes alegando que era para evitar a dor dos familiares.
A angustiante revelação de que alguns tripulantes tiveram uma morte lenta e torturante - por afogamento, hipotermia ou sufocamento - fez retornar o horror que tomou a nação nos dias posteriores ao do desastre.
‘‘Eles podem ter morrido em 24 horas, ou podem ter sobrevivido mais do que isto’’, opinou Clifford Beal, editor da publicação Jane’s Defense Weekly. ‘‘A menos que o almirante Popov tenha mais informação do que ele está divulgando, não sei como ele pode ter feito a afirmação neste momento.’’