France PresseBarbárieFamiliares dos indígenas mortos em Acteal velam seus corpos. Chacina planejada com dois meses de antecedência O massacre na semana do Natal de 45 indígenas no estado sulista mexicano de Chiapas foi planejado com pelo menos dois meses de antecedência e policiais estaduais ajudaram os pistoleiros a obter armas de alto calibre, concluíram investigadores.
O número de pessoas acusadas de envolvimento no massacre quase dobrou para 124, apesar de 52 suspeitos ainda estarem foragidos, afirmou o vice-procurador-geral Jose Luis Ramos Vieira ontem na Cidade do México.
‘‘De acordo com declarações, os planos para a violência contra a comunidade de Acteal começaram no mês de outubro de 1997 num encontro realizado na vila de Canolal’’, disse Ramos.
As evidências de que o crime foi premeditado e que a polícia local esteve envolvida deve fortalecer pedidos por investigação mais ampla que pode atingir altos oficiais acusados de negligência por permitirem que o massacre acontecesse.
Três meses depois da matança, que atraiu condenação internacional, investigadores disseram que ouviram mais de 300 depoimentos relacionados com o ataque a sangre-frio na vila montanhosa de Acteal, em Chiapas.
Pistoleiros paramilitares entraram em Acteal em 22 de dezembro de 1997, abrindo fogo contra indígenas partidários dos rebeldes zapatistas do estado. Foi o pior banho de sangue desde que a guerrilha pegou em armas no início de 1994.
Ramos Vieira afirmou que um grupo de moradores começou a organizar uma gangue a fim de manter a ordem na vila de Los Chorros, a poucos quilômetros de Acteal, em setembro. Eles encorajaram outras vilas a proceder da mesma forma, comprando armas de alto calibre de uso exclusivo das forças armadas, como fuzis AK-47 e AR-15, assim como menos poderosos fuzis calibre 22.
‘‘Nessas operações, os moradores da comunidade de Miguel Utrilla ‘‘Los Chorros’’ foram ajudados por alguns elementos da administração da polícia estadual’’, disse Ramos Vieira.
Em fevereiro, procuradores prenderam dois altos oficiais da polícia por eles não terem impedido o massacre enquanto este se desenrolava a pouca distância de suas unidades.
Onde os empobrecidos camponeses obtiveram as poderosas armas, e quem deu a eles treinamento para usá-las, têm sido duas das maiores perguntas em investigação relacionadas com um crime que tem sublinhado a profundidade do conflito no conturbado estado.
Ramos Vieira afirmou que a gangue cobrou taxas semanais nas vilas para comprar as armas, e que pagou o equivalente a US$ 700 para indivíduos não-identificados que a treinou por um período de três dias.
Ele também disse que foi descoberta a existência de um mercado negro de armas na antiga capital colonial de Chiapas, San Cristobal de las Casas, cerca de 1.054 km da Cidade do México, onde os assassinos conseguiram o armamento.
A agência de direitos humanos estatal do México tem acusado que altas autoridades, entre elas o ex-governador Julio Cesar Ruiz Ferro, sabiam da possibilidade do massacre mas não fizeram nada para detê-lo. Ruiz Ferro entregou seu cargo em janeiro, logo depois o ministro do Interior Emilio Chuayffet também renunciou.
As conversações de paz entre o governo e os zapatistas emperraram em setembro de 1996 e os rebeldes continuam entrincheirados em seus bastiões desde então, dependendo de apoio de vilas como a de Acteal.

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