Cidade do México

France PresseHorrorOs caixões que contêm os corpos das vítimas do massacre ocorrido em Chiapas constituem um quadro de horror e dorA imprensa mexicana concordou ontem que o massacre de 45 indígenas no município de Chenalhó, no Estado de Chiapas, é uma amarga lição que obriga o governo de Ernesto Zedillo e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) a ‘‘intensificarem esforços sérios de paz’’.
‘‘A matança é já um dos capítulos mais vergonhosos e agravantes da história nacional e provavelmente será lembrado como um ponto de inflexão nos acontecimentos do século XX’’, segundo o editorial de La Jornada. ‘‘Nestes dias amargos, o país está em uma encruzilhada entre atender de uma vez por todas ao problema da pobreza, da marginalidade e da injustiça, ou continuar dando as costas a essa problemática e assistir, impassível, ao deslocamento de seu tecido social’’, acrescentou o jornal.
La Jornada afirmou que ‘‘é fundamental que o governo desista de continuar buscando subterfúgios para cumprir o que foi firmado por seus representantes oficiais e os delegados da EZLN em San Andrés Larraínzar há quase dois anos’’. El Universal destacou que ‘‘o processo de paz deve continuar e ser patrocinado no mais alto nível. Em algum ponto, deve ser quebrado o círculo vicioso do silêncio, para abrir caminho a atitudes mais construtivas e criadoras de consensos’’. ‘‘A unânime rejeição ao massacre é já um ponto de concordância nacional, semelhante ao que aconteceu nos primeiros dias de janeiro de 1994’’, quando a sociedade ‘‘exigiu passar os confrontos para os caminhos da civilidade, que estão a ponto de fechamento, se não houver uma renovação de um compromisso em favor da paz’’, acrescentou o editorial de El Universal.
México repudia críticas O governo mexicano recusou qualquer manifestação de porta-vozes, funcionários estrangeiros ou organismos internacionais, nas quais se pretenda ‘‘exigir’’, ‘‘demandar’’ ou ‘‘instar’’ uma tomada de decisões que só compete às autoridades nacionais.
Em comunicado obtido pela AFP ontem, a Chancelaria mexicana agradeceu a ‘‘solidariedade e o apoio que vários governos estrangeiros expressaram pela tragédia que pôs de luto todos os mexicanos’’ pelos ‘‘trágicos acontecimentos’’ em Chenalhó, Chiapas. As manifestações que exigem, demandam ou instam o governo a tomar decisões sobre o caso ‘‘constituem um inaceitável ato de ingerência nos assuntos internos do México’’, destacou o texto emitido quinta-feira.

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