Massacre é lembrado com controle de dissidentes
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sábado, 04 de junho de 2005
France Presse 
Pequim- A calma reinava na Praça da Paz Celestial de Pequim ontem, aniversário da sangrenta repressão do movimento democrático chinês em 1989, mas os dissidentes permanecem sob rígida vigilância policial.
''Há policiais na porta de minha casa. Me disseram claramente que hoje não permitiriam minha visita ao cemitério'', disse à AFP Ding Zilin, líder das Mães da Praça, grupo que desde 1989 luta por uma apuração do massacre de centenas ou milhares de civis desarmados. Entre as vítimas da violência militar estava seu filho, de 17 anos, morto ao receber um tiro nas costas.
''Nos últimos 16 anos nunca pude ir no dia 3 de junho àss onze da noite ao cruzamento de Muxidi, onde meu filho morreu'', lamenta Ding, que há uma semana enviou uma carta aberta ao presidente Hu Jintao exigindo desculpas.
''Você e seus antecessores apagaram a memória do 4 de junho dos livros. Nisso tiveram sucesso. Vocês foram mais metódicos do que os conspiradores japoneses de direita que tentaram apagar a história do massacre de Nankin'', acusaram em sua carta as Mães da Praça da Paz Celestial, numa referência ao episódio mais sangrento da guerra sino-japonesa de 1937-45.
Outros pais, que no ano passado não receberam autorização para visitar um cemitério da zona oeste da capital, onde estão enterradas oito vítimas do massacre, puderam fazê-lo este ano, mas sob forte proteção policial.
''A segurança de Estado veio me advertir no dia 1º de junho que estavam proibidos os atos e comícios. Hoje três policiais me seguiram e quando chegamos ao cemitério havia outros 20, escondidos atrás das árvores com seus telefones celulares'', afirmou Zhang Xiangling, que também perdeu seu filho na tragédia de 1989.
Muitos policiais à paisana e de uniforme assistiram o hasteamento da bandeira, diante da imagem de Mao Tse Tung e de 400 turistas.
O governo chinês cita a evolução econômica do país para justificar a repressão.
''Durante os últimos 16 anos, os fatos mostraram que a conclusão naquela época era justa'', declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Kong Quan, ao enumerar ''o desenvolvimento da China em todos os setores, o progresso das reformas, uma maior abertura ao mundo exterior, o fortalecimento da democracia e do estado de direito''.


