Ansa
De Madri
Mais de 10 mil marroquinos iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado na cidade de El Ejido, no sul do Espanha, cenário nos últimos dias de atos de xenofobia considerados os mais violentos dos últimos anos.
Com esta medida, os marroquinos pretendem protestar contra as agressões físicas, ameaças e incêndios de casas e lojas que vêm sendo vítimas desde sábado passado, quando uma jovem espanhola foi assassinada supostamente por um imigrante.
O protesto de ontem paralisou praticamente toda a agricultura da região, a mais importante da Espanha, com três colheitas ao ano, e que prospera graças exatamente à mão de obra estrangeira, em sua maioria clandestina.
Com a greve, os norte-africanos querem demonstrar também que são ‘‘uma força produtiva’’ para o município e fazer ver à população local que não são delinquentes, afirmou um dos porta-vozes dos marroquinos.
A Associação de Imigrantes Marroquinos na Espanha (AEME) destacou que a resposta à greve foi ‘‘um êxito’’, já que a maioria não compareceu ao trabalho ontem.
Anteontem, a Mesa pela Integração Social dos Imigrantes, grupo formado por representantes de prefeituras e organizações sociais, pediu ao governo de Madri mais presença policial ‘‘constante’’ nos povoados afetados pela imigração maciça.
Em três dias de explosão xenófoba, 17 pessoas foram detidas, cinco delas relacionadas com a brutal agressão perpetrada contra o subdelegado do governo, Fernando Hermoso, depois do funeral de Encarnación López, a jovem espanhola assassinada supostamente por um jovem marroquino que recebia tratamento psiquiátrico.