''Marqueteiros'' brasileiros disputam território argentino
Ariel Palacios
Agência Estado
A campanha presidencial argentina deste ano a eleição será dia 24 possui características que a diferenciam das anteriores. Entre elas, a de que pela primeira vez na história houve uma invasão de consultores internacionais para conceber as campanhas eleitorais que permitirão aos candidatos sonhar com a vitória.
Os consultores norte-americanos, que trabalharam nos primeiros meses da campanha, foram deslocados pelos brasileiros, tornando a Argentina um campo de batalha onde disputam não somente os louros da vitória local, mas também o prestígio para futuras campanhas no Brasil, além de um apetitoso mercado quase virgem que se espalha do México, passando pela Venezuela e Peru.
Dois brasileiros estão na Argentina, trabalhando em campos opostos: José Eduardo Duda Mendonça, que levou uma equipe de 20 brasileiros para realizar a campanha do candidato do partido do governo, o partido Justicialista (ou peronista); e Hiram Pessoa de Melo, consultor da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, cujo candidato presidencial é Fernando De la Rúa.
Mendonça e Pessoa se encontraram uma única vez no campo de batalha: no Brasil, na eleição para governador em Goiás, onde o candidato de Pessoa foi o vencedor. Um segundo encontro foi indireto, na campanha da província de Catamarca, na Argentina, onde Mendonça fazia uma eventual assessoria do candidato peronista, e Pessoa era o arquiteto da campanha da oposição, que venceu.
Enquanto que a assessoria de Pessoa é low profile, o desembarque de Mendonça foi feito com estrépito. Da imagem de milagreiro nos primeiros meses deste ano, após a notável vitória eleitoral que permitiu que José De La Sota fosse o primeiro peronista a governar a província de Córdoba, um bastião da centenária UCR, Mendonça passou a ser considerado o coveiro da candidatura de Duhalde.
Na Argentina, Pessoa trabalha desde 1993. Em 1995, fez a campanha de Ocatvio Bordón, candidato à presidência pelo Frepaso, que ameaçou a vitória do presidente Carlos Menem, que disputava sua reeleição. Essa proximidade à vitória fez que De La Rúa o contratasse para a campanha à prefeitura, que venceu em 1996.
Quando Mendonça começou a assesoria a Duhalde há dois meses, o candidato peronista possuía 30% das intenções de votos. Hoje, após US$ 25 milhões gastos em publicidade para TV, Duhalde está caindo, com pouco mais de 25%. Seu concorrente não sorri com sua desgraça: isto é prejudicial para os marqueteiros basileiros, até porque meu posicionamento na campanha depende de seu sucesso. Esperava mais dele, fiquei decepcionado, confessou Pessoa à AE. No quartel-general montado por Mendonça, recusam-se a conversar com a imprensa: é o candidato que tem que estar na mídia, não nós, alegam.
O time de Mendonça perdeu credibilidade rapidamente, liquidando a aura de infalibilidade. O marqueteiro é acusado de ter transportado automaticamente publicidades aplicadas no Brasil para um contexto muito diferente como o argentino. Candidato não é como um Big Mac, que é igual em todo lugar, critica Pessoa. Essa transposição foi motivo de piada na mídia local: o programa cômico de TV Caiga quien Caiga mostrou slogans e publicidades utilizadas nas campanhas de Paulo Maluf praticamente transpostas para a campanha de Duhalde.
O estilo Duda está causando exasperação na família de Duhalde. Uma publicidade que mostrava Duhalde cabisbaixo, enquanto um locutor dizia você acha justo o que estão fazendo com ele? horrorizou sua esposa, Hilda Chiche de Duhalde: como se mostra meu marido como perdedor?, gritou. O eleitorado argentino é implacável, não aceita perdedores, sustenta Pessoa, que acrescenta a modo de conselho: este não é um país para amadores, requer aprendizado.
Além dos brasileiros, a guerra de marqueteiros na Argentina possui integrantes norte-americanos, como Dick Morris e James Carvile, que já tiveram participação nas campanhas de De La Rúa e Duhalde, respectivamente. Também estão no país Rick Rider e Ralf Murphine, que trabalha nas campanhas provinciais, e que é o mais antigo consultor dos EUA trabalhando na América Latina. No Brasil faz análises de pesquisas para Antônio Lavareda, pesquisador do presidente FHC.





