Marinha russa tenta resgatar submarino
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Associated Press De Moscou 
Um dos maiores submarinos nucleares da Rússia, com mais de 100 pessoas a bordo, estava preso ontem no fundo mar, nas proximidades do Círculo Polar Ártico, e a Marinha admitiu que as chances de resgate da tripulação são pequenas.
O comandante, almirante Vladimir Kuroyedov, afirmou que aparentemente o submarino sofreu uma grande colisão e ficou seriamente danificado.
Apesar de todos os esforços que estão sendo feitos, a probabilidade de termos um final bem-sucedido com o Kursk não é muito alta, disse o almirante, segundo a agência de notícias russas Itar-Tass. Oficiais da Marinha confirmaram as declarações de Kuroyedov.
Equipes de resgate conseguiram chegar até o local e colocaram um artefato na escotilha de resgate para abastecer o Kursk de oxigênio. O submarino pousou no fundo do mar de Barents no domingo enquanto participava de uma grande manobra naval nas proximidades da costa norte russa.
Participam da operação de resgate três submarinos e vários navios, em uma ação para suprir a necessidade de oxigênio e eletricidade da embarcação e resgatar os oficiais a bordo, que correm risco de morte.
Oficiais da Marinha vinham insistindo durante todo o dia de ontem que o submarino estava em boas condições e não falavam nada sobre a colisão até que o almirante anunciou que estavam diminuindo as esperanças de se resgatar a embarcação.
Os oficiais se negaram a confirmar a que profundidade o submarino está preso, mas um jornalista norueguês disse que o Kursk estava a cerca de 150 metros, uma profundidade na qual é muito difícil resgatar qualquer pessoa em vista da grande pressão da água.
Kuroyedov também afirmou que aparentemente o submarino sofreu sérios danos depois de colidir com outro objeto. Há sinais de uma grande e séria colisão, disse ele. Provavelmente esse outro submarino também sofreu danos e não está muito distante do Kursk, afirmou um representante da frota russa.
Submarinos russos e ocidentais frequentemente brincam de gato e rato na região e já chegaram a se tocar no passado. O Kursk participava de um grande exercício naval, que estava sendo atentamente monitorado por navios norte-americanos e de outros países ocidentais.
Se o submarino se envolveu numa colisão que perfurou seu casco, pode haver o perigo de um vazamento radioativo.
Oficiais da Marinha haviam dito que estavam em contato por rádio com a tripulação do submarino. Mais tarde, admitiram haver apenas contato acústico. Isto significa que a tripulação batia no casco do submarino passando mensagens em código Morse.
Embarcações de resgate estavam na região tentando ajudar o submarino avariado. De acordo com a imprensa russa, a decisão sobre qual medida de resgate seria adotada deveria ser tomada apenas hoje. Uma equipe de projetistas de navios foi levada ao local para sugerir opções de resgate.
Anteriormente, o porta-voz da Marinha Igor Dygalo disse que o submarino da classe Oscar não estava carregando armas nucleares e não havia perigo imediato de vazamento de radiação ou de uma explosão. Os dois reatores nucleares da embarcação foram desligados, acrescentou ele.
A rede de televisão NTV, citando fontes não identificadas, divulgou que a água invadiu os tubos de torpedos do submarino durante um exercício de tiro e a frente da embarcação havia sido inundada.


