France Presse


O capitão Alfredo Astiz (E) em Punta Del Este no ano passado. Abaixo, o torturador em foto de 1985





A Marinha argentina determinou ontem a prisão por sessenta dias do capitão-de-fragata na reserva Alfredo Astiz que defendeu a repressão ilegal durante o período da ditadura militar na Argentina, na década de 70, e declarou que ‘‘pode matar qualquer político ou jornalista’’. As declarações de Astiz, considerado um dos símbolos das violações dos direitos humanos no regime militar da Argentina foram feitas à revista ‘‘Tres Puntos’’ que começou a circular ontem. O chefe da armada, almirante Carlos Marrón, lhe aplicou a pena máxima contemplada pelo código naval por ordens expressas o presidente Carlos Menem. Astiz já foi condenado pela justiça espanhola pelo desaparecimento e duas freiras durante a ditadura e está indiciado também na Suécia.
Depois de reconhecer que a repressão deixou cerca de dez mil desaparecidos, torturou e sequestrou bebês, o ex-capitão disse que não se arrepende de nada, ressaltando que a Marinha o ensinou a ‘‘destruir, detonar bombas, infiltrar-se e a matar’’. Na entrevista, Astiz assegurou que é ‘‘o homem melhor preparado tecnicamente para matar qualquer político ou jornalista’’.
O presidente argentino declarou-se revoltado com as declarações do militar e na qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas ordenou a seu ministro da Defesa que fosse aplicada a punição máxima a Astiz. Astiz foi beneficiado pelo indulto concedido pelo ex-presidente argentino Raúl Alfonsín aos acusados de violação dos direitos humanos durante a ditadura.

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